Canto do Pescador
Sobre o autor
Nascido em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul, em 17 de setembro de 1903, Paulo Leivas Macalão é a figura mais presente na Harpa Cristã: 188 hinos traduzidos e 56 de autoria própria — 244 ao todo, cerca de 46,5% das letras do hinário.
Seu trabalho nasceu de um problema prático. O missionário sueco Samuel Nyström traduzia a hinódia escandinava de forma literal, sem domínio pleno do português, e os versos resultantes não encaixavam nas melodias. Coube a Macalão adaptar os textos, reorganizar compassos e, em vários casos, recriar a melodia — o que o tornou o principal elaborador do hinário.
Em paralelo, teve 52 anos de ministério pastoral: fundou e presidiu o Ministério de Madureira, ergueu o primeiro templo da Assembleia de Deus no Rio de Janeiro (Bangu, 1933) e inaugurou a catedral de Madureira em 1º de maio de 1953. Morreu em 26 de agosto de 1982, aos 79 anos.
História
Este é um dos 56 hinos de autoria própria de Paulo Leivas Macalão — não uma tradução, o que o distingue da maior parte do que ele assina na Harpa.
A imagem que estrutura o texto vem do chamado de Cristo aos primeiros discípulos, em Mateus 4:19: "vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens". O pescador do título é o crente enviado, e o mar é o mundo.
O hino
Sobre as ondas, pelo mar,
Mesmo na bonança ou no furacão
Não desejo mais parar;
Com a rede vou pescar,
Muitos peixes para o reino de Sião,
Neste mundo cheio de horror;
Não mais desanimarei;
Minha rede lançarei;
Muitos peixes apanhando p'ra o Senhor.
De pescar não tenho dom.
E me dizem que não devo continuar;
Mas Jesus me quis mandar,
E por isso vou pescar,
Té que Ele se apraze em me chamar.
Neste mundo cheio de horror;
Não mais desanimarei;
Minha rede lançarei;
Muitos peixes apanhando p'ra o Senhor.
Que é próprio do amor,
Ele usa dos remidos o menor,
Todo o mundo me deixou,
E de mim se envergonhou,
Mas alegre, vou pescar, pois é melhor.
Neste mundo cheio de horror;
Não mais desanimarei;
Minha rede lançarei;
Muitos peixes apanhando p'ra o Senhor.
E a rede de amor,
Cujo tio é a obra de Jesus,
Que puxada sempre traz
Os perdidos e sem paz,
Para receberem do Senhor, a luz.
Neste mundo cheio de horror;
Não mais desanimarei;
Minha rede lançarei;
Muitos peixes apanhando p'ra o Senhor.
E a pesca corre mal,
Novamente no meu barco vou pescar!
Pode ser que desta vez,
Eu não tenha mais revés
Pois Jesus eu levo para m'ensinar.
Neste mundo cheio de horror;
Não mais desanimarei;
Minha rede lançarei;
Muitos peixes apanhando p'ra o Senhor.
E deitado a pensar,
Tenho gozo pelo tempo que gastei;
Pois terei um galardão
Pela pesca, em Sião,
Pelas almas que no mundo eu ganhei.
Neste mundo cheio de horror;
Não mais desanimarei;
Minha rede lançarei;
Muitos peixes apanhando p'ra o Senhor.