Devocional de 2 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“Porque eu, o SENHOR, não mudo.”
É bom para nós que, em meio a toda a instabilidade da vida, haja Um a quem a mudança não pode afetar; Um cujo coração nunca pode se alterar e em cuja fronte a inconstância não pode abrir sulcos. Todas as outras coisas mudaram, todas as coisas estão mudando. O próprio sol se apaga com a idade; o mundo está envelhecendo; já começou o enrolar da veste gasta; os céus e a terra logo passarão; perecerão, envelhecerão como um vestido; mas há Um que, ele só, tem a imortalidade, cujos anos não têm fim e em cuja pessoa não há mudança. O deleite que o marinheiro sente quando, depois de ser jogado de um lado para o outro por muitos dias, pisa de novo em terra firme, é a satisfação do cristão quando, em meio a todas as mudanças desta vida atribulada, firma o pé da sua fé nesta verdade: “Eu, o SENHOR, não mudo”.
A estabilidade que a âncora dá ao navio quando enfim encontra onde se prender é como a que a esperança do cristão lhe proporciona quando se fixa nesta gloriosa verdade. Em Deus “não há mudança nem sombra de variação”. Quaisquer que fossem os seus atributos antigamente, são os mesmos agora; o seu poder, a sua sabedoria, a sua justiça, a sua verdade continuam igualmente inalterados. Ele sempre foi o refúgio do seu povo, a sua fortaleza no dia da angústia, e ainda é o seu Ajudador certo. Ele é imutável no seu amor. Amou o seu povo com “amor eterno”; ama-o agora tanto quanto sempre amou, e, quando todas as coisas terrenas se tiverem derretido na última conflagração, o seu amor ainda terá o orvalho da sua mocidade. Preciosa é a certeza de que ele não muda! A roda da providência gira, mas o seu eixo é o amor eterno.
“A morte e a mudança não descansam,
O homem definha, e as eras passam;
Mas a sua misericórdia nunca míngua;
Deus é sabedoria, Deus é amor.”
Noite
“Horror se apoderou de mim por causa dos ímpios que abandonam a tua lei.”
Minha alma, sentes este santo estremecimento diante dos pecados dos outros? Do contrário, falta-te santidade interior. As faces de Davi se molhavam com rios de águas por causa da impiedade reinante; Jeremias desejava que os seus olhos fossem fontes, para lamentar as iniquidades de Israel; e Ló se afligia com o procedimento dos homens de Sodoma. Os que receberam o sinal na visão de Ezequiel eram os que suspiravam e gemiam por causa das abominações de Jerusalém. Não pode deixar de entristecer as almas cheias de graça ver o trabalho que os homens têm para ir ao inferno. Elas conhecem por experiência o mal do pecado e se alarmam ao ver outros voando como mariposas para dentro das suas chamas. O pecado faz o justo estremecer porque viola uma lei santa, que é do mais alto interesse de todo homem guardar; ele derruba as colunas da sociedade. O pecado nos outros horroriza o crente porque lhe traz à lembrança a vileza do seu próprio coração: quando vê um transgressor, clama com o santo mencionado por Bernardo: “Ele caiu hoje, e eu posso cair amanhã”. O pecado é horrível para o crente porque crucificou o Salvador; ele vê em cada iniquidade os cravos e a lança. Como pode uma alma salva contemplar sem aversão esse maldito pecado que matou Cristo? Dize, meu coração, tu participas de verdade de tudo isso? É terrível insultar a Deus na sua face. O Deus bom merece tratamento melhor, o grande Deus o exige, o Deus justo o terá, ou retribuirá ao seu adversário na sua face. Um coração despertado treme diante da audácia do pecado e fica alarmado ao contemplar o seu castigo. Que coisa monstruosa é a rebelião! Que destino terrível está preparado para os ímpios! Minha alma, nunca rias das tolices do pecado, para que não venhas a sorrir do próprio pecado. Ele é teu inimigo e inimigo do teu Senhor. Olha para ele com aversão, pois só assim podes provar que possuis a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor.
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias