João 12
Do Comentário Conciso de Matthew Henry, na tradução do Bíblia.teo.br. Ler João 12
Versículos 1–11
Ler João 12:1-11Cristo tinha antes repreendido Marta por andar inquieta com o muito servir. Mas ela não deixou de servir, como alguns que, repreendidos por irem longe demais em um sentido, correm por birra longe demais no outro; ela continuou servindo, mas ao alcance das palavras graciosas de Cristo. Maria deu uma prova de amor a Cristo, que lhe dera verdadeiras provas do seu amor, a ela e à sua família. O Ungido de Deus deve ser o nosso Ungido. Se Deus derramou sobre ele o óleo de alegria acima dos seus companheiros, derramemos nós sobre ele o unguento das nossas melhores afeições.
Em Judas, um pecado repugnante é dourado por um pretexto plausível. Não devemos pensar que não prestam serviço aceitável os que não o prestam do nosso jeito. O amor ao dinheiro, quando domina, é roubo do coração. A graça de Cristo faz comentários bondosos sobre palavras e ações piedosas, tira o melhor do que está errado e o máximo do que é bom. As oportunidades devem ser aproveitadas; e as que provavelmente serão mais breves, em primeiro lugar e com mais vigor.
Conspirar para impedir o efeito ulterior do milagre, matando Lázaro, é uma maldade, uma malícia e uma insensatez tais que só se explicam pela desesperada inimizade do coração humano contra Deus. Resolveram que morresse o homem a quem o Senhor havia ressuscitado. O sucesso do evangelho muitas vezes deixa os ímpios tão irados que falam e agem como se esperassem obter vitória sobre o próprio Todo-Poderoso.
Versículos 12–19
Ler João 12:12-19A entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, montado, é relatada por todos os evangelistas. Muitas coisas excelentes, tanto na palavra como na providência de Deus, os discípulos não compreendem no primeiro contato com as coisas de Deus. A compreensão correta da natureza espiritual do reino de Cristo nos impede de aplicar mal as Escrituras que falam dele.
Versículos 20–26
Ler João 12:20-26Ao comparecermos às santas ordenanças, particularmente à Páscoa do evangelho, o grande desejo das nossas almas deve ser ver Jesus; vê-lo como nosso, manter comunhão com ele e dele receber graça. O chamado dos gentios engrandeceu o Redentor. Um grão de trigo não produz fruto se não for lançado à terra.
Assim, Cristo poderia ter possuído sozinho a sua glória celestial, sem se fazer homem. Ou, depois de ter tomado a natureza do homem, poderia ter entrado sozinho no céu, por sua própria justiça perfeita, sem sofrimento nem morte; mas então nenhum pecador da raça humana teria podido ser salvo. A salvação das almas até agora, e daqui em diante até o fim dos tempos, deve-se à morte deste Grão de trigo. Examinemos se Cristo está em nós, a esperança da glória; peçamos-lhe que nos faça indiferentes às preocupações insignificantes desta vida, para que sirvamos ao Senhor Jesus com ânimo disposto e sigamos o seu santo exemplo.
Versículos 27–33
Ler João 12:27-33O pecado das nossas almas foi o que turbou a alma de Cristo, quando ele se encarregou de nos redimir e salvar, e de fazer da sua alma uma oferta pelo nosso pecado. Cristo estava disposto a sofrer e, no entanto, orou para ser salvo do sofrimento. A oração contra a aflição pode muito bem concordar com a paciência diante dela e com a submissão à vontade de Deus nela. Nosso Senhor Jesus se encarregou de satisfazer a honra ofendida de Deus, e o fez humilhando-se a si mesmo. A voz do Pai, vinda do céu, que o declarara seu amado Filho no batismo e quando foi transfigurado, foi ouvida proclamando que ele tanto já havia glorificado o seu nome como o glorificaria.
Cristo, reconciliando o mundo com Deus pelo mérito da sua morte, quebrou o poder da morte e lançou fora Satanás como destruidor. Cristo, trazendo o mundo a Deus pela doutrina da sua cruz, quebrou o poder do pecado e lançou fora Satanás como enganador. A alma que estava longe de Cristo é levada a amá-lo e a confiar nele. Jesus estava agora indo para o céu e ali atrairia a si o coração dos homens. Há poder na morte de Cristo para atrair almas a ele. Ouvimos do evangelho o que exalta a graça gratuita e ouvimos também o que impõe o dever; devemos abraçar de coração ambas as coisas e não as separar.
Versículos 34–36
Ler João 12:34-36O povo tirou noções falsas das Escrituras porque deixou de lado as profecias que falavam dos sofrimentos e da morte de Cristo. Nosso Senhor os advertiu de que a luz não ficaria muito tempo com eles e os exortou a andar nela antes que as trevas os apanhassem. Os que querem andar na luz devem crer nela e seguir as instruções de Cristo. Mas os que não têm fé não podem contemplar o que se apresenta em Jesus levantado na cruz e serão estranhos à influência dela, tal como o Espírito Santo a dá a conhecer; acham mil objeções para desculpar a sua incredulidade.
Versículos 37–43
Ler João 12:37-43Observe o método de conversão que está implícito aqui. Os pecadores são levados a ver a realidade das coisas divinas e a ter algum conhecimento delas; a converter-se e a voltar-se de verdade do pecado para Cristo, como sua Felicidade e sua Porção. Deus os curará, os justificará e os santificará; perdoará os seus pecados, que são como feridas que sangram, e mortificará as suas corrupções, que são como doenças ocultas. Veja o poder do mundo em sufocar as convicções, por consideração ao aplauso ou à censura dos homens. O amor ao louvor dos homens, como intenção secundária no que é bom, fará do homem um hipócrita quando a religião está na moda e se pode ganhar prestígio com ela; e o amor ao louvor dos homens, como princípio vil no que é mau, fará do homem um apóstata quando a religião está em desgraça e se perde o prestígio por causa dela.
Versículos 44–50
Ler João 12:44-50Nosso Senhor proclamou publicamente que todo aquele que crê nele, como seu verdadeiro discípulo, não crê somente nele, mas no Pai que o enviou. Contemplando em Jesus a glória do Pai, aprendemos a obedecer-lhe, a amá-lo e a confiar nele. Olhando diariamente para aquele que veio como Luz ao mundo, somos cada vez mais libertos das trevas da ignorância, do erro, do pecado e da miséria; aprendemos que o mandamento de Deus, nosso Salvador, é a vida eterna. Mas essa mesma palavra selará a condenação de todos os que a desprezam ou a negligenciam.