João 16
Do Comentário Conciso de Matthew Henry, na tradução do Bíblia.teo.br. Ler João 16
Versículos 1–6
Ler João 16:1-6Nosso Senhor Jesus, ao avisar os seus discípulos da tribulação, quis que o terror não os pegasse de surpresa. É possível que aqueles que são verdadeiros inimigos do serviço de Deus finjam zelo por ele. Isso não diminui o pecado dos perseguidores; as vilanias jamais mudarão por se lhes pôr o nome de Deus. Assim como Jesus em seus sofrimentos, também os seus seguidores nos deles devem atentar para o cumprimento da Escritura. Ele não lhes disse isso antes porque estava com eles para ensiná-los, guiá-los e consolá-los; não precisavam então desta promessa da presença do Espírito Santo.
Perguntar de onde vêm as tribulações nos silenciará; perguntar para onde vão nos satisfará, pois sabemos que elas contribuem para o bem. É falta e insensatez comuns dos cristãos melancólicos olhar apenas para o lado escuro da nuvem e fechar os ouvidos à voz de júbilo e de alegria. O que enchia de tristeza o coração dos discípulos era o apego excessivo a esta vida presente. Nada atrapalha mais a nossa alegria em Deus do que o amor ao mundo e a tristeza do mundo que dele procede.
Versículos 7–15
Ler João 16:7-15A partida de Cristo era necessária para a vinda do Consolador. O envio do Espírito seria o fruto da morte de Cristo, que era a sua partida. A sua presença corporal só podia estar em um lugar de cada vez, mas o seu Espírito está em toda parte, em todos os lugares, em todos os tempos, onde quer que dois ou três estejam reunidos em seu nome. Veja aqui o ofício do Espírito: primeiro, repreender, ou convencer. A obra de convencer é obra do Espírito; ele pode realizá-la eficazmente, e ninguém além dele. É este o método que o Espírito Santo adota: primeiro convencer, depois consolar.
O Espírito convencerá o mundo do pecado; não apenas lhe falará dele. O Espírito convence do fato do pecado; da culpa do pecado; da insensatez do pecado; da imundície do pecado, pela qual nos tornamos odiosos a Deus; da fonte do pecado, a natureza corrompida; e, por fim, do fruto do pecado, cujo fim é a morte. O Espírito Santo prova que todo o mundo é culpado diante de Deus.
Ele convence o mundo da justiça: de que Jesus de Nazaré era o Cristo, o Justo. E também da justiça de Cristo, concedida a nós para justificação e salvação. Ele lhes mostrará onde ela se encontra e como podem ser aceitos como justos à vista de Deus. A ascensão de Cristo prova que o resgate foi aceito e que se consumou a justiça pela qual os crentes seriam justificados. Do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. Tudo irá bem quando for quebrado o poder daquele que causou todo o mal. Como Satanás é subjugado por Cristo, isto nos dá confiança, pois nenhum outro poder pode subsistir diante dele. E do dia do juízo.
A vinda do Espírito seria de vantagem indizível para os discípulos. O Espírito Santo é o nosso Guia, não apenas para nos mostrar o caminho, mas para ir conosco, com auxílios e influências contínuos. Ser conduzido a uma verdade é mais do que simplesmente conhecê-la; é ter não somente a noção dela na cabeça, mas o gosto, o sabor e o poder dela no coração. Ele ensinará toda a verdade e nada reterá de proveitoso, pois mostrará as coisas que hão de vir. Todos os dons e graças do Espírito, toda a pregação e todos os escritos dos apóstolos, sob a influência do Espírito, todas as línguas e milagres, haviam de glorificar a Cristo. Convém a cada um perguntar se o Espírito Santo começou uma boa obra em seu coração. Sem uma clara descoberta da nossa culpa e do nosso perigo, jamais entenderemos o valor da salvação de Cristo; mas, quando levados a nos conhecer corretamente, começamos a ver o valor do Redentor. Teríamos visões mais plenas do Redentor, e afeições mais vivas por ele, se orássemos mais pelo Espírito Santo e dependêssemos mais dele.
Versículos 16–22
Ler João 16:16-22É bom considerar quão perto do fim estão os nossos tempos de graça, para que sejamos despertados a aproveitá-los. Mas as tristezas dos discípulos logo se converteriam em alegria, como as de uma mãe ao ver o seu filho. O Espírito Santo seria o seu Consolador, e nem homens nem demônios, nem sofrimentos na vida nem na morte, jamais os privariam da sua alegria. Os crentes têm alegria ou tristeza conforme a visão que têm de Cristo e os sinais da sua presença. Sobre os ímpios vem uma tristeza que nada pode diminuir; o crente é herdeiro de uma alegria que ninguém pode tirar. Onde está agora a alegria dos assassinos do nosso Senhor, e a tristeza dos seus amigos?
Versículos 23–27
Ler João 16:23-27Pedir ao Pai demonstra o senso das necessidades espirituais e o desejo de bênçãos espirituais, com a convicção de que elas só se podem obter de Deus. Pedir em nome de Cristo é reconhecer a nossa indignidade de receber quaisquer favores de Deus, e mostra plena dependência de Cristo como o Senhor, nossa Justiça. Até então o nosso Senhor havia falado em sentenças breves e de peso, ou em parábolas, cujo significado os discípulos não compreendiam plenamente; mas, depois da sua ressurreição, pretendia ensinar-lhes claramente as coisas relativas ao Pai e ao caminho para ele, por meio da sua intercessão.
E a frequência com que o nosso Senhor insiste em que apresentemos petições em seu nome mostra que o grande fim da mediação de Cristo é nos impressionar com um profundo senso da nossa pecaminosidade e do mérito e do poder da sua morte, pela qual temos acesso a Deus. E lembremo-nos sempre de que dirigir-se ao Pai em nome de Cristo, ou dirigir-se ao Filho como Deus habitando na natureza humana e reconciliando consigo o mundo, é a mesma coisa, pois o Pai e o Filho são um.
Versículos 28–33
Ler João 16:28-33Eis uma declaração clara de que Cristo veio do Pai e a ele retorna. O Redentor, na sua vinda, foi Deus manifestado em carne e, na sua partida, foi recebido acima, na glória. Por esta declaração os discípulos progrediram no conhecimento. Também na fé: “Agora estamos certos.” Infelizmente, não conheciam a própria fraqueza. A natureza divina não abandonou a natureza humana, mas a sustentou e deu consolo e valor aos sofrimentos de Cristo.
E enquanto temos a presença favorável de Deus, somos felizes e devemos estar tranquilos, ainda que todo o mundo nos abandone. A paz em Cristo é a única paz verdadeira; somente nele os crentes a têm. Por meio dele temos paz com Deus e, assim, nele temos paz em nossa própria mente. Devemos ser encorajados, porque Cristo venceu o mundo antes de nós. Mas, enquanto pensamos estar de pé, tenhamos cuidado para não cair. Não sabemos como agiríamos se fôssemos levados à tentação; vigiemos e oremos sem cessar, para que não sejamos deixados entregues a nós mesmos.