B Bíblia.teo

Versículos 1–12

Ler João 18:1-12

O pecado começou no jardim do Éden; ali foi pronunciada a maldição, ali foi prometido o Redentor; e foi num jardim que aquela Semente prometida entrou em conflito com a antiga serpente. Cristo foi sepultado também num jardim. Quando andarmos em nossos jardins, aproveitemos a ocasião para meditar nos sofrimentos de Cristo num jardim.

Nosso Senhor Jesus, sabendo todas as coisas que haviam de lhe sobrevir, saiu e perguntou: A quem buscais? Quando o povo quis forçá-lo a aceitar uma coroa, ele se retirou, Jo 6:15, mas, quando vieram forçá-lo a uma cruz, ele se ofereceu; pois veio a este mundo para sofrer e foi para o outro mundo para reinar. Mostrou claramente o que poderia ter feito: quando os derrubou por terra, poderia tê-los derrubado mortos, mas não quis fazê-lo. Só pode ter sido efeito do poder divino que os oficiais e os soldados deixassem os discípulos irem embora tranquilamente, depois da resistência que havia sido oferecida. Cristo nos deu exemplo de mansidão nos sofrimentos e modelo de submissão à vontade de Deus em tudo o que nos diz respeito.

É apenas um cálice, coisa de pouca monta. É um cálice que nos é dado; os sofrimentos são dádivas. É dado a nós por um Pai, que tem autoridade de pai e não nos faz injustiça, que tem afeição de pai e não quer o nosso mal. Do exemplo do nosso Salvador devemos aprender a receber as nossas aflições mais leves e a perguntar a nós mesmos se devemos opor-nos à vontade do nosso Pai ou desconfiar do seu amor. Estávamos atados com as cordas das nossas iniquidades, com o jugo das nossas transgressões. Cristo, feito oferta pelo pecado por nós, para nos libertar dessas amarras, submeteu-se ele mesmo a ser atado por nós. Às suas cadeias devemos a nossa liberdade; assim o Filho nos faz livres.

Versículos 13–27

Ler João 18:13-27

Simão Pedro negou o seu Mestre. Os pormenores já foram observados nas considerações sobre os outros Evangelhos. O princípio do pecado é como quando se soltam as águas. O pecado da mentira é fecundo: uma mentira precisa de outra para sustentá-la, e essa de outra. Se o chamado para nos expormos ao perigo é claro, podemos esperar que Deus nos capacite a honrá-lo; se não é, podemos temer que Deus nos deixe envergonhar-nos a nós mesmos.

Nada disseram sobre os milagres de Jesus, pelos quais ele havia feito tanto bem e que provavam a sua doutrina. Assim os inimigos de Cristo, enquanto disputam com a sua verdade, fecham propositadamente os olhos para ela. Ele apela para os que o ouviram. A doutrina de Cristo pode apelar com segurança a todos os que a conhecem, e os que julgam com verdade dão testemunho dela. O nosso ressentimento diante das injúrias nunca deve ser impetuoso. Ele raciocinou com o homem que lhe fez a injúria, e nós também podemos fazê-lo.

Versículos 28–32

Ler João 18:28-32

Era injusto matar alguém que havia feito tanto bem; por isso os judeus queriam livrar-se da reprovação. Muitos temem mais o escândalo de uma coisa má do que o pecado que há nela. Cristo havia dito que seria entregue aos gentios e que eles o matariam; com isso se cumpriu aquela palavra. Ele havia dito que seria crucificado, levantado. Se os judeus o tivessem julgado pela sua lei, teria sido apedrejado; a crucificação nunca foi usada entre os judeus. Está determinado a nosso respeito, embora não nos seja revelado, de que morte morreremos; isto deve nos livrar da inquietação a esse respeito. Senhor, o quê, quando e como, tu o determinaste.

Versículos 33–40

Ler João 18:33-40

És tu o Rei dos judeus? Aquele Rei dos judeus tão longamente esperado? O Messias, o Príncipe: és tu? Tu te chamas assim, e queres ser tido como tal? Cristo respondeu a esta pergunta com outra; não para evadir-se, mas para que Pilatos considerasse o que fazia. Ele nunca assumiu nenhum poder terreno; nunca se lhe imputou nenhum princípio ou prática de traição.

Cristo explicou a natureza do seu reino. A sua natureza não é mundana; é um reino dentro dos homens, estabelecido em seus corações e consciências; as suas riquezas são espirituais, o seu poder é espiritual e a sua glória é interior. Os seus apoios não são mundanos; as suas armas são espirituais; não precisou de força para mantê-lo e promovê-lo, nem a usou, nem se opôs a nenhum reino senão ao do pecado e de Satanás. O seu objetivo e propósito não são mundanos. Quando Cristo disse: Eu sou a verdade, disse, em substância: Eu sou Rei. Ele conquista pela evidência convincente da verdade; governa pelo poder soberano da verdade. Os súditos deste reino são os que são da verdade.

Pilatos fez uma boa pergunta: Que é a verdade? Quando examinamos as Escrituras e assistimos ao ministério da palavra, devemos fazê-lo com esta pergunta: Que é a verdade? e com esta oração: Guia-me na tua verdade; em toda a verdade. Mas muitos fazem esta pergunta sem terem paciência para perseverar na busca da verdade, ou sem humildade bastante para recebê-la.

Por esta solene declaração da inocência de Cristo, vê-se que, embora o Senhor Jesus tenha sido tratado como o pior dos malfeitores, jamais mereceu tal tratamento. Mas ela revela o propósito da sua morte: ele morreu como Sacrifício pelos nossos pecados. Pilatos queria agradar a todos os lados e foi governado mais pela sabedoria do mundo do que pelas regras da justiça. O pecado é um ladrão, e no entanto é insensatamente escolhido por muitos em vez de Cristo, que verdadeiramente nos enriqueceria. Procuremos envergonhar os nossos acusadores como Cristo o fez, e cuidemos de não crucificar Cristo de novo.