Devocional de 12 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“A prova da vossa fé.”
A fé que não foi provada pode ser fé verdadeira, mas com certeza é pequena fé, e é provável que continue raquítica enquanto não passar por provações. A fé nunca prospera tanto como quando tudo está contra ela: as tempestades são os seus treinadores, e os relâmpagos, os seus iluminadores. Quando há calmaria no mar, por mais que se abram as velas, o navio não avança para o porto; pois, num oceano adormecido, a quilha também dorme. Mas deixe que os ventos soprem uivando e que as águas se levantem: então, ainda que o navio balance, que o seu convés seja varrido pelas ondas e que o seu mastro range sob a pressão da vela cheia e inflada, é nessa hora que ele avança rumo ao porto desejado. Nenhuma flor tem um azul tão belo como as que crescem ao pé da geleira; nenhuma estrela brilha tanto como as que cintilam no céu polar; nenhuma água é tão doce como a que brota no meio da areia do deserto; e nenhuma fé é tão preciosa como a que vive e triunfa na adversidade. A fé provada traz experiência. Você não teria acreditado na sua própria fraqueza se não tivesse sido obrigado a atravessar os rios; e nunca teria conhecido a força de Deus se não tivesse sido sustentado no meio das enchentes. A fé cresce em solidez, em certeza e em intensidade quanto mais é exercitada pela tribulação. A fé é preciosa, e a sua prova também é preciosa.
Que isto, porém, não desanime os que são novos na fé. Você terá provações de sobra sem precisar buscá-las: a porção completa lhe será medida no devido tempo. Enquanto isso, se ainda não pode reivindicar o fruto de uma longa experiência, agradeça a Deus pela graça que tem; louve-o pelo grau de santa confiança que já alcançou; ande segundo essa regra, e você ainda terá cada vez mais da bênção de Deus, até que a sua fé remova montanhas e vença o impossível.
Noite
“E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus.”
Se algum nascido de mulher pudesse ter vivido sem oração, esse seria o nosso Senhor imaculado e perfeito; e, no entanto, ninguém jamais esteve tanto em súplica quanto ele! Tal era o seu amor ao Pai que muito gostava de estar em comunhão com ele; tal era o seu amor pelo seu povo que desejava interceder muito por ele. O fato dessa notável vida de oração de Jesus é uma lição para nós — ele nos deixou o exemplo, para que sigamos as suas pisadas. A hora que escolheu era admirável: era a hora do silêncio, quando a multidão não o perturbaria; o tempo da inatividade, quando todos, menos ele, tinham parado de trabalhar; e o momento em que o sono fazia os homens esquecerem os seus males e deixarem de recorrer a ele em busca de alívio. Enquanto os outros encontravam descanso no sono, ele se refazia na oração. O lugar também foi bem escolhido. Estava sozinho, onde ninguém o interromperia, onde ninguém o observaria: assim ficava livre da ostentação farisaica e da interrupção vulgar. Aqueles montes escuros e silenciosos eram um oratório adequado para o Filho de Deus. O céu e a terra, na quietude da meia-noite, ouviram os gemidos e suspiros do Ser misterioso em quem os dois mundos se uniam. A perseverança das suas súplicas é notável: as longas vigílias não lhe pareceram longas demais; o vento frio não esfriou a sua devoção; a escuridão sombria não obscureceu a sua fé, nem a solidão deteve a sua insistência. Nós não conseguimos vigiar com ele uma hora, mas ele vigiou por nós noites inteiras. A ocasião desta oração é digna de nota: foi depois que os seus inimigos se encheram de furor — a oração era o seu refúgio e consolo; foi antes de enviar os doze apóstolos — a oração era a porta do seu empreendimento, o arauto da sua nova obra. Não deveríamos aprender com Jesus a recorrer a uma oração especial quando passamos por uma provação particular, ou quando planejamos novos esforços para a glória do Mestre? Senhor Jesus, ensina-nos a orar.
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias