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Manhã

“A vara de si mesma não pode dar fruto.”

Como você começou a dar fruto? Foi quando veio a Jesus, lançou-se sobre a sua grande expiação e descansou na sua justiça consumada. Ah, quanto fruto você tinha então! Lembra-se daqueles primeiros dias? Então, de fato, a vide floresceu, apareceram as tenras uvas, brotaram as romãzeiras, e os canteiros de bálsamo exalaram o seu perfume. Você decaiu desde então? Se decaiu, nós o exortamos a lembrar-se daquele tempo de amor, a arrepender-se e a praticar as primeiras obras. Dedique-se mais àquelas ocupações que, por experiência, você comprovou que o aproximam mais de Cristo, porque é dele que procedem todos os seus frutos. Qualquer exercício santo que o leve a ele o ajudará a dar fruto. O sol é, sem dúvida, um grande obreiro na formação dos frutos entre as árvores do pomar; e Jesus o é ainda mais entre as árvores do seu jardim da graça. Quando foi que você esteve mais sem fruto? Não foi quando viveu mais longe do Senhor Jesus Cristo, quando afrouxou na oração, quando se afastou da simplicidade da sua fé, quando as suas virtudes ocuparam a sua atenção em vez do seu Senhor, quando você disse: “Não vacilarei jamais; a minha montanha permanece forte”, e esqueceu onde habita a sua força — não foi então que o seu fruto cessou? Alguns de nós aprendemos, por terríveis humilhações do coração diante do Senhor, que nada temos fora de Cristo; e, quando vimos a completa esterilidade e morte de todo poder da criatura, clamamos angustiados: “Nele há de ser achado todo o meu fruto, pois nenhum fruto jamais pode vir de mim”. A experiência passada nos ensina que, quanto mais simplesmente dependermos da graça de Deus em Cristo e esperarmos no Espírito Santo, mais fruto daremos para Deus. Ah, confiar em Jesus para o fruto, assim como para a vida!

Noite

“O dever de orar sempre, e nunca desfalecer.”

Se é dever dos homens orar sempre e nunca desfalecer, muito mais dos cristãos. Jesus enviou a sua igreja ao mundo com a mesma missão com que ele mesmo veio, e essa missão inclui a intercessão. E se eu disser que a igreja é o sacerdote do mundo? A criação é muda, mas a igreja deve ser a boca dela. É alto privilégio da igreja orar e ser aceita. A porta da graça está sempre aberta às suas petições, e elas nunca voltam de mãos vazias. O véu foi rasgado para ela, o sangue foi aspergido sobre o altar para ela, e Deus a convida constantemente a pedir o que quiser. Recusará ela o privilégio que os anjos poderiam invejar? Não é ela a noiva de Cristo? Não pode entrar à presença do seu Rei a qualquer hora? Deixará sem uso esse precioso privilégio? A igreja sempre tem necessidade de oração. Sempre há no seu meio alguns que estão decaindo ou caindo em pecado declarado. Há cordeiros por quem orar, para que sejam levados no seio de Cristo; os fortes, para que não se tornem presunçosos; e os fracos, para que não caiam no desespero. Se mantivéssemos reuniões de oração vinte e quatro horas por dia, todos os dias do ano, talvez nunca nos faltasse um assunto especial de súplica. Faltam-nos alguma vez os doentes e os pobres, os aflitos e os vacilantes? Faltam-nos alguma vez os que buscam a conversão de parentes, a restauração de desviados ou a salvação dos depravados? Não; com congregações sempre se reunindo, com ministros sempre pregando, com milhões de pecadores jazendo mortos em ofensas e pecados; num país sobre o qual certamente descem as trevas do romanismo; num mundo cheio de ídolos, de crueldades e de obras diabólicas — se a igreja não orar, como se desculpará da vil negligência para com a comissão do seu amoroso Senhor? Que a igreja seja constante na súplica; que cada crente, em particular, lance a sua pequena moeda de oração na arca do tesouro.

De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias