Devocional de 16 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma.”
Não está escrito “O SENHOR é em parte a minha porção”, nem “O SENHOR está na minha porção”; mas ele mesmo constitui a soma total da herança da minha alma. Dentro da circunferência desse círculo está tudo o que possuímos ou desejamos. O SENHOR é a minha porção. Não apenas a sua graça, nem o seu amor, nem a sua aliança, mas o próprio Jeová. Ele nos escolheu como sua porção, e nós o escolhemos como a nossa. É verdade que o Senhor precisa primeiro escolher para nós a nossa herança, senão nunca a escolheríamos por nós mesmos; mas, se somos de fato chamados segundo o propósito do amor que elege, podemos cantar:
“Amado por meu Deus, por ele, em troca,
Ardo em intenso amor;
Escolhido por ele antes dos tempos,
Escolho-o eu também.”
O Senhor é a nossa porção totalmente suficiente. Deus basta a si mesmo; e, se Deus é totalmente suficiente em si mesmo, há de ser totalmente suficiente para nós. Não é fácil satisfazer os desejos do homem. Quando sonha que está satisfeito, logo acorda e percebe que ainda há algo além, e imediatamente a sanguessuga no seu coração clama: “Dá, dá”. Mas tudo o que podemos desejar se encontra na nossa porção divina, de modo que perguntamos: “Quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti”. Bem podemos “deleitar-nos no Senhor”, que nos faz beber da corrente das suas delícias. A nossa fé estende as asas e sobe como uma águia ao céu do amor divino, como à sua morada própria. “As linhas caem-nos em lugares deliciosos: sim, coube-nos uma formosa herança.” Regozijemo-nos sempre no Senhor; mostremos ao mundo que somos um povo feliz e bem-aventurado, e assim o levaremos a exclamar: “Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco”.
Noite
“Os teus olhos verão o rei na sua formosura.”
Quanto mais você conhecer a Cristo, menos se contentará com visões superficiais dele; e, quanto mais profundamente estudar o que ele fez na aliança eterna, os compromissos que assumiu em seu favor como Fiador eterno e a plenitude da sua graça, que brilha em todos os seus ofícios, mais verdadeiramente verá o Rei na sua formosura. Dedique-se muito a essas contemplações. Anseie cada vez mais por ver Jesus. A meditação e a contemplação são muitas vezes como janelas de ágata e portas de carbúnculo, através das quais contemplamos o Redentor. A meditação põe o telescópio diante dos olhos e nos permite ver Jesus de um modo melhor do que o teríamos visto se tivéssemos vivido nos dias da sua carne. Quem dera que a nossa vida estivesse mais voltada para os céus, e que estivéssemos mais ocupados com a pessoa, a obra e a formosura do nosso Senhor encarnado! Com mais meditação, a formosura do Rei resplandeceria sobre nós com mais brilho. Amados, é muito provável que tenhamos do nosso glorioso Rei uma visão como nunca tivemos antes quando chegarmos à hora de morrer. Muitos santos, ao morrer, olharam do meio das águas tempestuosas e viram Jesus andando sobre as ondas do mar, e o ouviram dizer: “Sou eu, não temais”. Ah, sim! Quando a casa começa a estremecer e o barro se desprende, vemos Cristo pelas frestas, e por entre as vigas entra, a jorros, a luz do sol do céu. Mas, se queremos ver face a face “o rei na sua formosura”, temos de ir ao céu para contemplá-lo, ou o Rei tem de vir aqui em pessoa. Ah, se ele viesse sobre as asas do vento! Ele é o nosso Esposo, e a sua ausência nos deixa viúvos; é o nosso Irmão querido e formoso, e sem ele estamos sós. Véus espessos e nuvens pendem entre a nossa alma e a sua verdadeira vida: quando refrescará o dia e fugirão as sombras? Ó dia tão esperado, começa!
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias