Devocional de 15 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“Porque a porção do SENHOR é o seu povo.”
Como eles são dele? Pela sua própria escolha soberana. Ele os escolheu e pôs neles o seu amor. Fez isso inteiramente à parte de qualquer bondade que houvesse neles naquele tempo, ou de qualquer bondade que previsse neles. Teve misericórdia de quem quis ter misericórdia e destinou uma companhia escolhida para a vida eterna; assim, portanto, eles são dele pela sua eleição livre.
Não são dele só por escolha, mas também por compra. Ele os comprou e pagou por eles até o último ceitil; por isso, não pode haver contestação sobre o seu título. Não com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, mas com o precioso sangue do Senhor Jesus Cristo, a porção do Senhor foi plenamente resgatada. Não há hipoteca sobre a sua propriedade; nenhuma ação pode ser movida por pretendentes contrários; o preço foi pago em audiência pública, e a Igreja é propriedade livre e perpétua do Senhor. Veja a marca do sangue sobre todos os escolhidos, invisível aos olhos humanos, mas conhecida de Cristo, pois “o Senhor conhece os que são seus”; ele não se esquece de nenhum daqueles que remiu dentre os homens; conta as ovelhas pelas quais deu a vida e se lembra bem da Igreja pela qual se entregou.
Também são dele por conquista. Que batalha ele travou em nós antes que fôssemos ganhos! Por quanto tempo sitiou o nosso coração! Quantas vezes nos enviou termos de rendição! Mas trancávamos as nossas portas e fortificávamos as nossas muralhas contra ele. Não nos lembramos daquela hora gloriosa em que ele tomou o nosso coração de assalto? Quando encostou a sua cruz no muro, escalou as nossas muralhas e fincou nas nossas fortalezas a bandeira vermelho-sangue da sua misericórdia onipotente? Sim, somos de fato os cativos conquistados do seu amor onipotente. Assim escolhidos, comprados e subjugados, os direitos do nosso divino possuidor são inalienáveis: alegramo-nos por nunca podermos ser de nós mesmos; e desejamos, dia após dia, fazer a vontade dele e manifestar a glória dele.
Noite
“Fortalece, ó Deus, o que já fizeste para nós.”
É nossa sabedoria, bem como nossa necessidade, suplicar continuamente a Deus que fortaleça o que ele já fez em nós. É por negligenciar isso que muitos cristãos podem culpar a si mesmos pelas provações e aflições de espírito que nascem da incredulidade. É verdade que Satanás procura inundar o belo jardim do coração e transformá-lo num cenário de desolação; mas também é verdade que muitos cristãos deixam abertas eles mesmos as comportas e deixam entrar o terrível dilúvio por descuido e por falta de oração ao seu poderoso Ajudador. Muitas vezes esquecemos que o Autor da nossa fé tem de ser também o seu Conservador. A lâmpada que ardia no templo nunca podia apagar-se, mas precisava ser reabastecida todos os dias com azeite novo; do mesmo modo, a nossa fé só pode viver se for sustentada com o azeite da graça, e só podemos obtê-lo do próprio Deus. Seremos virgens loucas se não garantirmos o sustento necessário para as nossas lâmpadas. Aquele que construiu o mundo o sustenta, senão ele cairia num tremendo desabamento; aquele que nos fez cristãos precisa nos manter pelo seu Espírito, senão a nossa ruína será rápida e definitiva. Vamos, então, noite após noite, ao nosso Senhor buscar a graça e a força de que precisamos. Temos um argumento forte para apresentar, pois é a sua própria obra de graça que lhe pedimos que fortaleça — “o que já fizeste para nós”. Você pensa que ele deixará de proteger e sustentar isso? Basta que a sua fé se apodere da força dele, e todos os poderes das trevas, liderados pelo arqui-inimigo do inferno, não poderão lançar uma nuvem ou sombra sobre a sua alegria e a sua paz. Por que desfalecer, se você pode ser forte? Por que sofrer derrota, se pode vencer? Ah, leve a sua fé vacilante e as suas virtudes abatidas àquele que pode reanimá-las e reabastecê-las, e ore com fervor: “Fortalece, ó Deus, o que já fizeste para nós”.
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias