Devocional de 4 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“Porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.”
Uma qualificação primordial para servir a Deus com algum sucesso, e para fazer a obra de Deus bem e de modo triunfante, é a consciência da nossa própria fraqueza. Quando o guerreiro de Deus marcha para a batalha confiado na sua própria força, quando se gaba: “Sei que vencerei; o meu próprio braço e a minha espada vitoriosa me darão a vitória”, a derrota não está longe. Deus não sairá com o homem que marcha na sua própria força. Quem conta com a vitória desse modo fez mal as contas, pois “não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos”. Os que saem a lutar gabando-se da sua bravura voltarão com as suas bandeiras vistosas arrastadas no pó e a sua armadura manchada de vergonha. Os que servem a Deus devem servi-lo do jeito dele e na força dele, ou ele nunca aceitará o seu serviço. Aquilo que o homem faz sem a ajuda da força divina Deus nunca pode reconhecer. Os simples frutos da terra ele os lança fora; só colherá o trigo cuja semente foi semeada do céu, regada pela graça e amadurecida pelo sol do amor divino. Deus esvaziará tudo o que você tem antes de pôr em você o que é dele; primeiro limpará os seus celeiros antes de enchê-los com o mais fino do trigo. O rio de Deus está cheio de água, mas nem uma gota dela brota de fontes terrenas. Deus não quer nas suas batalhas outra força senão a que ele mesmo dá. Você está lamentando a sua própria fraqueza? Tenha ânimo, pois é preciso haver consciência da fraqueza antes que o Senhor lhe dê a vitória. O seu vazio é apenas a preparação para que você seja cheio, e o seu abatimento é apenas o preparo para o seu levantamento.
“Quando estou fraco, então sou forte;
A graça é o meu escudo, e Cristo, o meu cântico.”
Noite
“Na tua luz veremos a luz.”
Nenhum lábio pode contar ao coração o amor de Cristo até que o próprio Jesus fale lá dentro. Todas as descrições ficam sem graça e sem vida, a não ser que o Espírito Santo as encha de vida e de poder; até que o nosso Emanuel se revele interiormente, a alma não o vê. Se você quisesse ver o sol, juntaria os meios comuns de iluminação e procuraria assim contemplar o astro do dia? Não; o sábio sabe que o sol deve revelar-se a si mesmo, e que só pelo seu próprio clarão aquela poderosa lâmpada pode ser vista. Assim é com Cristo. “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas”, disse ele a Pedro, “porque to não revelou a carne e o sangue.” Purifique a carne e o sangue por qualquer processo educativo que escolher, eleve as faculdades mentais ao mais alto grau de capacidade intelectual; nada disso pode revelar Cristo. O Espírito de Deus deve vir com poder e cobrir o homem com as suas asas, e então, naquele místico Santo dos Santos, o Senhor Jesus deve mostrar-se ao olho santificado, como não se mostra aos filhos dos homens de vista curta. Cristo tem de ser o seu próprio espelho. A grande massa deste mundo de olhos turvos não consegue ver nada das glórias inefáveis de Emanuel. Ele está diante deles sem beleza nem formosura, como raiz de uma terra seca, rejeitado pelos vaidosos e desprezado pelos orgulhosos. Só onde o Espírito ungiu os olhos com colírio, vivificou o coração com a vida divina e educou a alma para um gosto celestial, só ali ele é compreendido. “Para vós, os que credes, é precioso”; para você ele é a principal pedra da esquina, a Rocha da sua salvação, o seu tudo em todos; mas, para outros, é “pedra de tropeço e rocha de escândalo”. Felizes aqueles a quem o nosso Senhor se manifesta, pois a promessa que lhes faz é que fará neles morada. Ó Jesus, nosso Senhor, o nosso coração está aberto; entra e não saias nunca mais. Mostra-te a nós agora! Concede-nos um vislumbre dos teus encantos que tudo vencem.
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias