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Manhã

“Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará.”

Este dia é notável na história da Inglaterra por dois grandes livramentos que Deus operou por nós. Neste dia foi descoberta, em 1605, a conspiração dos papistas para destruir as nossas Casas do Parlamento.

“Enquanto, para os nossos príncipes, preparavam
Em fundas cavernas uma armadilha de fogo,
Ele lançou do céu um raio penetrante
E trouxe à luz a escura traição.”

E, em segundo lugar, hoje é o aniversário do desembarque do rei Guilherme III em Torbay, em 1688, pelo qual foi esmagada a esperança da supremacia papista e assegurada a liberdade religiosa.

Este dia deveria ser celebrado não com as festanças dos rapazes, mas com os cânticos dos santos. Os nossos antepassados puritanos faziam dele, com toda a devoção, um tempo especial de ação de graças. Existe ainda um registro dos sermões anuais pregados por Matthew Henry neste dia. O nosso sentimento protestante e o nosso amor pela liberdade deveriam nos levar a considerar este aniversário com santa gratidão. Que os nossos corações e lábios exclamem: “Ó Deus, nós ouvimos com os nossos ouvidos, e nossos pais nos têm contado a obra que fizeste em seus dias, nos tempos da antiguidade”. Fizeste desta nação o lar do evangelho; e, quando o inimigo se levantou contra ela, tu a protegeste. Ajuda-nos a oferecer cânticos repetidos por livramentos repetidos. Concede-nos cada vez mais aversão ao Anticristo e apressa o dia da sua completa extinção. Até lá, e para sempre, cremos na promessa: “Toda a ferramenta preparada contra ti não prosperará”. Não deveria pesar sobre o coração de todo amante do evangelho de Jesus, neste dia, suplicar pela derrubada das falsas doutrinas e pela expansão da verdade divina? Não seria bom examinar o nosso próprio coração e lançar fora qualquer entulho papista de justiça própria que nele possa estar escondido?

Noite

“Louvai-o, e bendizei o seu nome.”

O nosso Senhor quer que todo o seu povo seja rico em pensamentos elevados e alegres sobre a sua bendita pessoa. Jesus não se contenta com que os seus irmãos pensem pouco dele; é do seu agrado que a sua desposada se deleite na sua beleza. Não devemos considerá-lo um simples artigo de necessidade, como o pão e a água, mas um manjar requintado, um deleite raro e arrebatador. Para isso ele se revelou como a “pérola de grande valor”, na sua beleza sem igual; como o “ramalhete de mirra”, na sua fragrância refrescante; como a “rosa de Sarom”, no seu perfume duradouro; como o “lírio”, na sua pureza imaculada.

Como ajuda para ter pensamentos elevados sobre Cristo, lembre-se da estima em que Cristo é tido além dos céus, onde as coisas são medidas pelo padrão certo. Pense em como Deus estima o Unigênito, o seu dom inefável a nós. Considere o que os anjos pensam dele, pois têm como a sua maior honra cobrir o rosto aos seus pés. Considere o que pensam dele os lavados no sangue, que dia e noite cantam os louvores que ele tão bem merece. Pensamentos elevados sobre Cristo nos capacitarão a agir de modo coerente com a nossa relação com ele. Quanto mais alto virmos Cristo entronizado, e quanto mais humildes estivermos ao nos curvar diante do estrado do trono, mais verdadeiramente estaremos preparados para cumprir o nosso papel para com ele. O nosso Senhor Jesus deseja que pensemos bem dele, para que nos submetamos alegremente à sua autoridade. Pensamentos elevados sobre ele aumentam o nosso amor. O amor e a estima andam juntos. Por isso, crente, pense muito nas excelências do seu Mestre. Estude-o na sua glória primeira, antes de tomar sobre si a sua natureza! Pense no amor poderoso que o tirou do trono para morrer na cruz! Admire-o quando vence todos os poderes do inferno! Veja-o ressuscitado, coroado, glorificado! Curve-se diante dele como o Maravilhoso, o Conselheiro, o Deus Forte, pois só assim o seu amor por ele será o que deve ser.

De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias