João 7
Do Comentário Conciso de Matthew Henry, na tradução do Bíblia.teo.br. Ler João 7
Versículos 1–13
Ler João 7:1-13Os irmãos, ou parentes, de Jesus ficaram desgostosos quando viram que não havia perspectiva de vantagens mundanas por parte dele. Homens ímpios às vezes se põem a aconselhar os que se ocupam na obra de Deus; mas só aconselham o que lhes parece capaz de promover vantagens imediatas. O povo se dividia a respeito da sua doutrina e dos seus milagres, enquanto os que o favoreciam não ousavam declarar abertamente os seus sentimentos. Os que tomam os pregadores do evangelho por enganadores falam abertamente, enquanto muitos que os favorecem têm medo de atrair censura ao declarar apreço por eles.
Versículos 14–24
Ler João 7:14-24Todo ministro fiel pode adotar humildemente as palavras de Cristo. A sua doutrina não é invenção sua, mas procede da palavra de Deus, por meio do ensino do seu Espírito. E, em meio às disputas que perturbam o mundo, se alguém, de qualquer nação, procura fazer a vontade de Deus, saberá se a doutrina é de Deus ou se os homens falam de si mesmos. Só os que odeiam a verdade serão entregues a erros que lhes serão fatais. Certamente era tão conforme ao propósito do sábado restituir a saúde aos aflitos quanto praticar um rito exterior. Jesus lhes disse que julgassem a conduta dele segundo o sentido espiritual da lei divina. Não devemos julgar ninguém pela aparência exterior, mas pelo seu valor e pelos dons e graças do Espírito de Deus que há nele.
Versículos 25–30
Ler João 7:25-30Cristo proclamou em alta voz que eles estavam em erro quanto aos seus pensamentos sobre a origem dele. Ele fora enviado por Deus, que se mostrou verdadeiro nas suas promessas. Esta declaração, de que não conheciam a Deus, juntamente com a sua pretensão de ter um conhecimento singular, provocou os ouvintes; e eles procuravam prendê-lo, mas Deus pode atar as mãos dos homens, ainda que não lhes mude o coração.
Versículos 31–36
Ler João 7:31-36Os discursos de Jesus convenceram muitos de que ele era o Messias; mas não tiveram coragem de reconhecê-lo. É consolo para os que estão no mundo, mas não são do mundo, e por isso são odiados por ele e estão cansados dele, que não estarão nele sempre, que não estarão nele por muito tempo. Sendo maus os nossos dias, é bom que sejam poucos. Os dias da vida e da graça não duram muito; e os pecadores, quando estiverem na miséria, ficarão contentes com a ajuda que agora desprezam. Os homens discutem sobre tais palavras, mas o desfecho as explicará.
Versículos 37–39
Ler João 7:37-39No último dia da festa dos tabernáculos, os judeus tiravam água e a derramavam diante do Senhor. Supõe-se que Cristo aludia a isso. Se alguém deseja ser verdadeira e eternamente feliz, recorra a Cristo e seja governado por ele. Esta sede significa fortes desejos de bênçãos espirituais, que nenhuma outra coisa pode satisfazer; assim, as influências santificadoras e consoladoras do Espírito Santo eram o significado das águas a que Jesus os chamava a vir a ele e beber. O consolo flui abundante e constantemente como um rio; forte como uma correnteza para arrastar consigo a oposição das dúvidas e dos temores.
Há em Cristo uma plenitude, de graça por graça. O Espírito que habita e opera nos crentes é como uma fonte de água viva e corrente, da qual fluem abundantes torrentes, refrescantes e purificadoras como a água. Não esperamos os dons miraculosos do Espírito Santo, mas podemos pedir as suas influências mais comuns e mais valiosas. Essas correntes fluíram do nosso Redentor glorificado até esta época e até os cantos mais remotos da terra. Que estejamos ansiosos por torná-las conhecidas de outros.
Versículos 40–53
Ler João 7:40-53A malícia dos inimigos de Cristo é sempre contrária à razão, e às vezes o seu refreamento não se pode explicar. Nunca homem algum falou com aquela sabedoria, poder e graça, com aquela clareza convincente e aquela doçura com que Cristo falou. Ai, que muitos que por um tempo são contidos e falam com elogio da palavra de Jesus perdem logo as suas convicções e continuam nos seus pecados! As pessoas se deixam levar, insensatamente, por motivos exteriores em questões de importância eterna; estão dispostas até a ser condenadas por causa da moda. Assim como a sabedoria de Deus muitas vezes escolhe as coisas que os homens desprezam, também a insensatez dos homens comumente despreza aqueles que Deus escolheu. O Senhor faz avançar os seus discípulos fracos e tímidos e às vezes os usa para frustrar os desígnios de seus inimigos.