B Bíblia.teo

Versículos 1–7

Ler João 9:1-7

Cristo curou muitos que eram cegos por doença ou acidente; aqui curou um cego de nascença. Assim mostrou o seu poder de socorrer nos casos mais desesperados e a obra da sua graça sobre a alma dos pecadores, que dá vista aos cegos por natureza. Este pobre homem não podia ver a Cristo, mas Cristo o viu. E, se conhecemos ou compreendemos alguma coisa de Cristo, é porque antes fomos conhecidos por ele. Cristo diz, a respeito de calamidades fora do comum, que nem sempre devem ser vistas como castigos especiais do pecado; às vezes são para a glória de Deus e para manifestar as suas obras.

A nossa vida é o nosso dia, no qual nos convém fazer a obra do dia. Devemos estar ocupados e não desperdiçar as horas do dia; será hora de descansar quando o nosso dia terminar, pois não passa de um dia. A aproximação da morte deve nos estimular a aproveitar todas as oportunidades de fazer o bem e de receber o bem. O bem que temos oportunidade de fazer, devemos fazê-lo depressa. E quem nunca quiser fazer uma boa obra enquanto houver algo a objetar contra ela deixará muitas boas obras para sempre por fazer, Ec 11:4.

Cristo engrandeceu o seu poder ao fazer um cego ver, fazendo aquilo que se julgaria mais capaz de cegar quem vê. A razão humana não pode julgar os métodos do Senhor; ele usa meios e instrumentos que os homens desprezam. Os que querem ser curados por Cristo devem ser governados por ele. O homem voltou do tanque admirando-se e sendo admirado; voltou vendo. Isto representa os benefícios de frequentar as ordenanças instituídas por Cristo: as almas vão fracas e voltam fortalecidas; vão em dúvida e voltam satisfeitas; vão chorando e voltam alegres; vão cegas e voltam vendo.

Versículos 8–12

Ler João 9:8-12

Aqueles cujos olhos foram abertos e cujos corações foram purificados pela graça, sendo reconhecidos como a mesma pessoa, mas muito diferentes de caráter, vivem como monumentos da glória do Redentor e recomendam a sua graça a todos os que desejam a mesma preciosa salvação. É bom observar o caminho e o método das obras de Deus, e elas parecerão ainda mais maravilhosas. Apliquemos isto espiritualmente. Na obra da graça operada na alma vemos a mudança, mas não vemos a mão que a faz: o caminho do Espírito é como o do vento, cujo som ouves, mas não sabes de onde vem nem para onde vai.

Versículos 13–17

Ler João 9:13-17

Cristo não só fez milagres no sábado, mas os fez de um modo que ofendia os judeus, pois não queria parecer ceder aos escribas e fariseus. O zelo deles por simples ritos devorava as questões essenciais da religião; por isso Cristo não quis dar-lhes lugar. Além disso, as obras de necessidade e de misericórdia são permitidas, e o descanso do sábado deve ser guardado a fim de que se faça a obra do sábado.

Quantos olhos cegos foram abertos pela pregação do evangelho no dia do Senhor! Quantas almas impotentes foram curadas naquele dia! Muito julgamento injusto e sem caridade vem de os homens acrescentarem as suas próprias fantasias às determinações de Deus. Quão perfeito em sabedoria e santidade era o nosso Redentor, quando os seus inimigos nada puderam achar contra ele, senão a acusação, tantas vezes refutada, de violar o sábado! Que sejamos capacitados, fazendo o bem, a tapar a boca à ignorância dos homens insensatos.

Versículos 18–23

Ler João 9:18-23

Os fariseus esperavam em vão desmentir esse notável milagre. Esperavam um Messias, mas não suportavam pensar que esse Jesus fosse ele, porque os preceitos dele eram todos contrários às suas tradições e porque esperavam um Messias com pompa e esplendor exteriores. O temor do homem arma laços, Pv 29:25, e muitas vezes faz as pessoas negarem e repudiarem a Cristo, as suas verdades e os seus caminhos, e agirem contra a própria consciência. Os de pouca instrução e os pobres, que são de coração simples, tiram prontamente as conclusões acertadas das evidências da luz do evangelho; mas aqueles cujos desejos vão em outra direção, ainda que estejam sempre aprendendo, nunca chegam ao conhecimento da verdade.

Versículos 24–34

Ler João 9:24-34

Assim como as misericórdias de Cristo são mais estimadas por aqueles que sentiram a falta delas, que foram cegos e agora veem, as afeições mais poderosas e duradouras por Cristo nascem do conhecimento real dele. Na obra da graça na alma, ainda que não possamos dizer quando, como e por quais passos se operou a bendita mudança, podemos ter o consolo, se pudermos dizer, pela graça: Havendo eu sido cego, agora vejo. Eu vivia uma vida mundana e sensual, mas, graças a Deus, agora é diferente comigo, Ef 5:8.

A incredulidade dos que dispõem dos meios de conhecimento e de convicção é, de fato, assombrosa. Todos os que sentiram o poder e a graça do Senhor Jesus se admiram da obstinação dos outros que o rejeitam. Ele argumenta com força contra eles, não somente que Jesus não era pecador, mas que era de Deus. Cada um de nós pode saber por isso se é de Deus ou não. O que fazemos? O que fazemos por Deus? O que fazemos pela nossa alma? O que fazemos mais do que os outros?

Versículos 35–38

Ler João 9:35-38

Cristo reconhece os que o reconhecem, e à sua verdade e aos seus caminhos. Dá-se atenção particular aos que sofrem pela causa de Cristo e pelo testemunho de uma boa consciência. Nosso Senhor Jesus se revela graciosamente ao homem. Agora ele passou a sentir que misericórdia indizível era ter sido curado da cegueira para poder ver o Filho de Deus. Ninguém senão Deus deve ser adorado; assim, ao adorar a Jesus, ele o reconheceu como Deus. Todos os que creem nele o adorarão.

Versículos 39–41

Ler João 9:39-41

Cristo veio ao mundo para dar vista aos que eram espiritualmente cegos. Veio também para que os que veem se tornassem cegos, para que os que têm elevada opinião da própria sabedoria fossem selados na ignorância. A pregação da cruz era tida por loucura pelos que, com a sabedoria carnal, não conheciam a Deus. Nada fortifica mais o coração corrompido dos homens contra as convicções da palavra do que a alta opinião que os outros têm deles, como se todos os que ganham aplauso entre os homens devessem obter aceitação diante de Deus. Cristo os silenciou. Mas o pecado dos presunçosos e dos que confiam em si mesmos permanece; rejeitam o evangelho da graça e, por isso, a culpa do seu pecado permanece sem perdão, e o poder do seu pecado permanece sem ser quebrado.