Devocional de 14 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“Os que se inclinam jurando ao SENHOR, e juram por Milcom.”
Essas pessoas se julgavam seguras porque estavam com os dois partidos: andavam com os seguidores de Jeová e, ao mesmo tempo, se curvavam diante de Milcom. Mas a duplicidade é abominável para Deus, e a sua alma odeia a hipocrisia. O idólatra que se entrega abertamente ao seu falso deus tem um pecado a menos do que aquele que traz o seu sacrifício poluído e detestável ao templo do Senhor enquanto o seu coração está com o mundo e com os pecados dele. Acender uma vela a Deus e outra ao diabo é política de covarde. Nos assuntos comuns da vida diária, o homem de coração dobre é desprezado; mas na religião ele é repugnante ao último grau. A pena que Deus pronuncia contra essa gente — ser exterminada do seu lugar — é terrível, mas é bem merecida; pois como a justiça divina pouparia o pecador que conhece o que é certo, aprova-o e professa segui-lo, e o tempo todo ama o mal e lhe dá domínio no seu coração?
Minha alma, examina-te nesta manhã e vê se és culpada de jogo duplo. Professas ser seguidora de Jesus — tu o amas de verdade? O teu coração é reto para com Deus? És da família do velho Honesto, ou és parente do Sr. Interesseiro? Ter nome de que vivo pouco vale se, na verdade, estou morto em ofensas e pecados. Ter um pé na terra da verdade e o outro no mar da mentira acabará numa queda terrível e numa ruína total. Cristo há de ser tudo ou nada. Deus enche todo o universo, e por isso não há lugar para outro deus; se, então, ele reina no meu coração, não haverá espaço para outro poder reinante. Descanso somente em Jesus crucificado e vivo somente para ele? É esse o meu desejo? Está o meu coração decidido a isso? Se sim, bendita seja a poderosa graça que me levou à salvação; e, se não, ó Senhor, perdoa a minha triste ofensa e une o meu coração ao temor do teu nome.
Noite
“E disse Labão: Não se faz assim no nosso lugar, que a menor se dê antes da primogênita.”
Não desculpamos Labão pela sua desonestidade, mas não hesitamos em aprender com o costume que ele citou como desculpa. Há coisas que precisam ser tomadas na ordem, e, se quisermos conquistar a segunda, temos de garantir a primeira. A segunda pode ser a mais bela aos nossos olhos, mas a regra da pátria celestial tem de prevalecer, e a mais velha precisa casar-se primeiro. Por exemplo, muitos desejam a bela e formosa Raquel do gozo e da paz no crer, mas primeiro precisam casar-se com Lia, a de olhos tenros, que é o arrependimento. Todo mundo se apaixona pela felicidade, e muitos serviriam alegremente duas vezes sete anos para desfrutá-la; mas, segundo a regra do reino do Senhor, a Lia da santidade verdadeira precisa ser amada pela nossa alma antes que se possa alcançar a Raquel da verdadeira felicidade. O céu não vem em primeiro lugar, mas em segundo, e só perseverando até o fim podemos ganhar nele uma porção. A cruz precisa ser carregada antes que se possa usar a coroa. Temos de seguir o nosso Senhor na sua humilhação, ou nunca descansaremos com ele na glória.
Minha alma, que dizes? És tão vã a ponto de esperar quebrar a regra celestial? Esperas recompensa sem trabalho, ou honra sem fadiga? Afasta essa vã expectativa e contenta-te em aceitar as coisas sem formosura por causa do doce amor de Jesus, que te recompensará por tudo. Com esse espírito, trabalhando e sofrendo, verás o amargo tornar-se doce e o difícil tornar-se fácil. Como Jacó, os teus anos de serviço te parecerão poucos dias, pelo amor que tens a Jesus; e, quando chegar a hora querida da festa das bodas, todas as tuas fadigas serão como se nunca tivessem existido — uma hora com Jesus compensará séculos de dor e de trabalho.
Jesus, para ganhar-te, tão formoso,
A tua cruz com alegria levarei:
Pois assim manda a regra do céu,
Com a primeira me caso, e a outra ganharei.
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias