Devocional de 20 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“Pleiteaste, Senhor, as causas da minha alma.”
Repare com que certeza o profeta fala. Ele não diz: “Espero, confio, às vezes penso que Deus pleiteou as causas da minha alma”; mas fala disso como de um fato indiscutível: “Tu pleiteaste as causas da minha alma”. Com a ajuda do bondoso Consolador, sacudamos essas dúvidas e temores que tanto estragam a nossa paz e o nosso consolo. Seja esta a nossa oração: que acabemos de vez com a voz áspera e rouca da suposição e da suspeita, e possamos falar com a voz clara e melodiosa da plena certeza. Repare com que gratidão o profeta fala, atribuindo toda a glória só a Deus! Você percebe que não há uma palavra sobre ele mesmo ou sobre as suas próprias súplicas. Ele não atribui o seu livramento, em medida alguma, a homem algum, muito menos ao seu próprio mérito; mas diz “tu”: “Pleiteaste, Senhor, as causas da minha alma, remiste a minha vida”. O cristão deve cultivar sempre um espírito agradecido; e, especialmente depois dos livramentos, devemos preparar um cântico para o nosso Deus. A terra deveria ser um templo cheio dos cânticos de santos agradecidos, e cada dia, um incensário fumegando com o doce incenso das ações de graças. Como Jeremias parece alegre enquanto registra a misericórdia do Senhor! Com que triunfo ele ergue o seu canto! Ele esteve na masmorra profunda, e ainda agora não é outro senão o profeta chorão; e, contudo, no próprio livro que se chama “Lamentações”, claro como o cântico de Miriã quando tocou o tamboril, agudo como a voz de Débora quando se encontrou com Baraque com gritos de vitória, ouvimos a voz de Jeremias subindo ao céu: “Pleiteaste, Senhor, as causas da minha alma, remiste a minha vida”. Ó filhos de Deus, busquem uma experiência viva da benignidade do Senhor e, quando a tiverem, falem dela com certeza; cantem com gratidão; gritem com triunfo.
Noite
“Os coelhos são um povo débil; e contudo, põem a sua casa na rocha.”
Conscientes de que por natureza não têm defesa, os coelhos — os pequenos damões das rochas — recorrem às tocas nos penhascos e ficam a salvo dos seus inimigos. Meu coração, dispõe-te a aprender uma lição com este povo débil. Tu és tão fraco e tão exposto ao perigo quanto o tímido coelho; sê tão sábio quanto ele para buscar abrigo. A minha melhor segurança está dentro das fortalezas de um Jeová imutável, onde as suas promessas inalteráveis se erguem como gigantescas muralhas de rocha. Irá bem contigo, meu coração, se puderes sempre te esconder nos baluartes dos seus gloriosos atributos, todos eles garantias de segurança para os que nele confiam. Bendito seja o nome do Senhor: eu assim fiz, e me achei como Davi na caverna de Adulão, a salvo da crueldade do meu inimigo; não preciso agora descobrir a bem-aventurança do homem que põe no Senhor a sua confiança, pois há muito tempo, quando Satanás e os meus pecados me perseguiam, fugi para a fenda da rocha, Cristo Jesus, e no seu lado ferido encontrei um delicioso lugar de descanso. Meu coração, corre para ele de novo nesta noite, seja qual for a tua tristeza presente; Jesus se compadece de ti; Jesus te consola; Jesus te ajudará. Nenhum monarca na sua fortaleza inexpugnável está mais seguro do que o coelho na sua toca na rocha. O senhor de dez mil carros não está nem um pouco mais protegido do que o pequeno morador da fenda do monte. Em Jesus, os fracos são fortes, e os indefesos estão seguros; não poderiam ser mais fortes se fossem gigantes, nem estar mais seguros se estivessem no céu. A fé dá aos homens na terra a proteção do Deus do céu. Mais do que isso não podem precisar, nem precisam desejar. Os coelhos não sabem construir um castelo, mas aproveitam o que já existe: eu não posso fazer para mim um refúgio, mas Jesus o providenciou, o seu Pai o deu, o seu Espírito o revelou, e eis que nesta noite entro nele de novo e estou a salvo de todo inimigo.
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias