Devocional de 21 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“E não entristeçais o Espírito Santo de Deus.”
Tudo o que o crente tem precisa vir de Cristo, mas vem unicamente pelo canal do Espírito da graça. Além disso, assim como todas as bênçãos chegam a você por meio do Espírito Santo, assim também nada de bom pode sair de você — em pensamento santo, em culto devoto ou em ato de graça — sem a operação santificadora do mesmo Espírito. Ainda que a boa semente seja semeada em você, ela permanece dormente, a menos que ele opere em você tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade. Você deseja falar por Jesus? Como poderá, se o Espírito Santo não tocar a sua língua? Deseja orar? Ah, que trabalho sem vida, a menos que o Espírito interceda por você! Deseja vencer o pecado? Quer ser santo? Quer imitar o seu Mestre? Deseja subir às mais altas alturas da espiritualidade? Quer ser feito semelhante aos anjos de Deus, cheio de zelo e de ardor pela causa do Mestre? Sem o Espírito, você não pode — “sem mim nada podeis fazer”. Ó vara da videira, você não pode dar fruto sem a seiva! Ó filho de Deus, você não tem vida em si mesmo além da vida que Deus lhe dá pelo seu Espírito! Então não o entristeçamos nem o provoquemos à ira com o nosso pecado. Não o apaguemos em nenhum dos seus mais leves movimentos na nossa alma; acolhamos cada sugestão e estejamos prontos a obedecer a cada impulso. Se o Espírito Santo é de fato tão poderoso, não tentemos nada sem ele; não comecemos nenhum projeto, não levemos adiante nenhum empreendimento e não concluamos nenhum negócio sem implorar a sua bênção. Prestemos a ele a devida homenagem de sentir a nossa completa fraqueza sem ele e, então, de depender somente dele, tendo esta como a nossa oração: “Abre o meu coração e todo o meu ser à tua entrada, e sustém-me com o teu Espírito quando eu o tiver recebido no meu íntimo”.
Noite
“Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.”
Ele é digno de inveja. Era bom ser Marta e servir, mas era melhor ser Lázaro e ter comunhão. Há tempo para cada coisa, e cada uma é bela a seu tempo, mas nenhuma das árvores do jardim produz cachos como a videira da comunhão. Sentar-se com Jesus, ouvir as suas palavras, observar os seus atos e receber os seus sorrisos era um favor que deve ter deixado Lázaro tão feliz quanto os anjos. Quando tivemos a feliz sorte de nos banquetear com o nosso Amado na sua sala do banquete, não teríamos dado meio suspiro por todos os reinos do mundo, ainda que tão pouco fôlego pudesse comprá-los.
Ele deve ser imitado. Seria estranho se Lázaro não estivesse à mesa onde Jesus estava, pois tinha estado morto, e Jesus o ressuscitara. Que o ressuscitado estivesse ausente quando o Senhor que lhe deu a vida estava na sua casa teria sido, de fato, ingratidão. Nós também estivemos mortos um dia; sim, e, como Lázaro, cheirávamos mal na sepultura do pecado; Jesus nos ressuscitou, e pela vida dele vivemos — podemos nos contentar em viver longe dele? Deixamos de nos lembrar dele à sua mesa, onde ele se digna a banquetear com os seus irmãos? Ah, isso é crueldade! Convém que nos arrependamos e façamos o que ele nos mandou, pois o menor desejo dele deveria ser lei para nós. Ter vivido sem convívio constante com aquele de quem os judeus disseram: “Vede como o amava”, teria sido vergonhoso para Lázaro; é desculpável em nós, a quem Jesus amou com amor eterno? Ter sido frio para com aquele que chorou sobre o seu corpo sem vida teria revelado grande brutalidade em Lázaro. Que revela em nós, por quem o Salvador não só chorou, mas sangrou? Vamos, irmãos que leem esta página, voltemos ao nosso Esposo celestial e peçamos o seu Espírito, para que tenhamos com ele uma intimidade maior e, daqui em diante, nos sentemos à mesa com ele.
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias