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Manhã

“Comunhão com ele.”

Quando fomos unidos a Cristo pela fé, fomos levados a uma comunhão tão completa com ele que fomos feitos um com ele, e os interesses dele e os nossos se tornaram comuns e idênticos. Temos comunhão com Cristo no seu amor. O que ele ama, nós amamos. Ele ama os santos — nós também. Ele ama os pecadores — nós também. Ele ama a pobre raça humana que perece e anseia por ver os desertos da terra transformados no jardim do Senhor — nós também. Temos comunhão com ele nos seus desejos. Ele deseja a glória de Deus — nós também trabalhamos por ela. Ele deseja que os santos estejam com ele onde ele está — nós também desejamos estar com ele ali. Ele deseja expulsar o pecado — eis que combatemos sob a sua bandeira. Ele deseja que o nome do seu Pai seja amado e adorado por todas as suas criaturas — nós oramos todos os dias: “Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Temos comunhão com Cristo nos seus sofrimentos. Não somos pregados na cruz, nem morremos de uma morte cruel; mas, quando ele é afrontado, nós somos afrontados; e é coisa muito doce ser censurado por amor dele, ser desprezado por seguir o Mestre, ter o mundo contra nós. O discípulo não deve estar acima do seu Senhor. Na nossa medida, temos comunhão com ele nos seus trabalhos, servindo aos homens pela palavra da verdade e por obras de amor. A nossa comida e a nossa bebida, como a dele, é fazer a vontade daquele que nos enviou e realizar a sua obra. Temos também comunhão com Cristo nas suas alegrias. Somos felizes na felicidade dele, alegramo-nos na sua exaltação. Você já provou essa alegria, crente? Não há deleite mais puro nem mais arrebatador que se possa conhecer aquém do céu do que ter a alegria de Cristo cumprida em nós, para que a nossa alegria seja completa. A sua glória nos aguarda para completar a nossa comunhão, pois a sua Igreja se assentará com ele no seu trono, como sua noiva muito amada e sua rainha.

Noite

“Sobe a um monte alto.”

Todo crente deveria ter sede de Deus, do Deus vivo, e ansiar por subir ao monte do Senhor e vê-lo face a face. Não devemos nos contentar com as névoas do vale quando o cume do Tabor nos espera. A minha alma tem sede de beber a fundo do cálice reservado aos que chegam ao alto do monte e banham a fronte no céu. Como é puro o orvalho dos montes, como é fresco o ar das alturas, como é farta a mesa dos que moram lá no alto, cujas janelas dão para a Nova Jerusalém! Muitos santos se contentam em viver como homens nas minas de carvão, que não veem o sol; comem pó como a serpente, quando poderiam provar o manjar celestial dos anjos; contentam-se em usar a roupa do mineiro, quando poderiam vestir trajes de rei; as lágrimas lhes desfiguram o rosto, quando poderiam ungi-lo com óleo celestial. Estou convencido de que muitos crentes definham numa masmorra, quando poderiam andar sobre o terraço do palácio e contemplar a boa terra e o Líbano. Desperte, ó crente, da sua condição rasteira! Lance fora a sua preguiça, a sua letargia, a sua frieza, ou o que quer que atrapalhe o seu amor casto e puro por Cristo, o Esposo da sua alma. Faça dele a fonte, o centro e a circunferência de todo o alcance dos deleites da sua alma. Que encanto o leva a tamanha loucura, a ponto de ficar num poço quando pode sentar-se num trono? Não viva nas terras baixas da escravidão, agora que lhe foi concedida a liberdade dos montes. Não se contente mais com as suas conquistas raquíticas, mas avance para coisas mais sublimes e celestiais. Aspire a uma vida mais alta, mais nobre, mais plena. Para cima, para o céu! Mais perto de Deus!

“Quando virás a mim, Senhor?
Ó vem, meu Senhor tão querido!
Chega-te, chega-te mais, mais ainda:
Sou feliz quando estás perto.”

De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias