Devocional de 24 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“O glorioso SENHOR será para nós um lugar de rios e correntes largas.”
Rios e correntes largas produzem fertilidade e abundância na terra. Os lugares próximos de rios largos se destacam pela variedade das suas plantas e pela fartura das suas colheitas. Deus é tudo isso para a sua Igreja. Tendo Deus, ela tem abundância. Que pode ela pedir que ele não lhe dê? Que necessidade pode mencionar que ele não supra? “E o SENHOR dos Exércitos dará neste monte a todos os povos uma festa com animais gordos.” Precisam do pão da vida? Ele cai do céu como o maná. Precisam de correntes que refrigeram? A pedra os segue, e a pedra é Cristo. Se você passa alguma necessidade, a culpa é sua; se está estreitado, não está estreitado nele, mas nos seus próprios afetos. Rios e correntes largas também apontam para o comércio. O nosso glorioso Senhor é para nós um lugar de mercadoria celestial. Por meio do nosso Redentor temos comércio com o passado: a riqueza do Calvário, os tesouros da aliança, as riquezas dos dias antigos da eleição, as provisões da eternidade, tudo nos chega descendo pela larga corrente do nosso bondoso Senhor. Temos comércio também com o futuro. Que galeras, carregadas até a linha d'água, nos chegam do milênio! Que visões temos dos dias dos céus sobre a terra! Por meio do nosso glorioso Senhor temos comércio com os anjos; comunhão com os espíritos resplandecentes, lavados no sangue, que cantam diante do trono; mais ainda, melhor ainda, temos comunhão com o Infinito. Rios e correntes largas servem especialmente para expressar a ideia de segurança. Antigamente, os rios eram uma defesa. Ah, amados, que defesa é Deus para a sua Igreja! O diabo não pode atravessar este largo rio de Deus. Como ele gostaria de desviar a correnteza! Mas não temam, pois Deus permanece imutavelmente o mesmo. Satanás pode nos inquietar, mas não pode nos destruir; barco nenhum de remo invadirá o nosso rio, nem navio grande navegará por ele.
Noite
“Um pouco a dormir, um pouco a cochilar; outro pouco deitado de mãos cruzadas, para dormir, assim te sobrevirá a tua pobreza como um vagabundo, e a tua necessidade como um homem armado.”
Os piores preguiçosos só pedem um pouco de sono; ficariam indignados se fossem acusados de completa ociosidade. Um pouco de mãos cruzadas para dormir é tudo o que desejam, e têm uma multidão de razões para mostrar que essa concessão é muito apropriada. E, contudo, com esses poucos o dia se escoa, o tempo do trabalho se vai por inteiro, e o campo fica coberto de espinhos. É por pequenos adiamentos que os homens arruínam a alma. Não têm intenção de demorar anos — alguns meses trarão a ocasião mais oportuna; amanhã, se você quiser, cuidarão das coisas sérias; mas a hora presente está tão ocupada e é tão inteiramente imprópria que eles pedem para ser dispensados. Como a areia de uma ampulheta, o tempo passa, a vida se desperdiça aos pingos, e as ocasiões de graça se perdem por pequenos cochilos. Ah, ser sábio, agarrar a hora que voa, aproveitar os momentos enquanto passam! Que o Senhor nos ensine esta sabedoria sagrada, pois do contrário nos espera uma pobreza da pior espécie, a pobreza eterna, que não terá nem uma gota de água e a mendigará em vão. Como um andarilho que segue firme o seu caminho, a pobreza alcança o preguiçoso, e a ruína derruba o indeciso: cada hora traz para mais perto o temido perseguidor; ele não para no caminho, pois está a serviço do seu senhor e não pode demorar. Como um homem armado entra com autoridade e poder, assim virá a necessidade ao ocioso e a morte ao impenitente, e não haverá escapatória. Ah, se os homens fossem sábios a tempo e buscassem com diligência o Senhor Jesus, antes que amanheça o dia solene em que será tarde demais para lavrar e semear, tarde demais para se arrepender e crer! Na colheita, é inútil lamentar que o tempo da semeadura foi desperdiçado. Por enquanto, a fé e a santa decisão ainda chegam a tempo. Que as alcancemos nesta noite.
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias