Devocional de 26 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças.”
“Tudo quanto te vier à mão para fazer” se refere a obras possíveis. Há muitas coisas que o nosso coração encontra para fazer e que nunca faremos. É bom que estejam no nosso coração; mas, se quisermos ser úteis de verdade, não devemos nos contentar em formar planos no coração e falar deles; temos de realizar na prática “tudo quanto nos vier à mão para fazer”. Uma boa ação vale mais do que mil teorias brilhantes. Não esperemos grandes oportunidades, nem outro tipo de trabalho, mas façamos exatamente as coisas que nos “vierem à mão” dia após dia. Não temos outro tempo em que viver. O passado já se foi; o futuro ainda não chegou; nunca teremos outro tempo senão o presente. Portanto, não espere que a sua experiência amadureça por completo para só então tentar servir a Deus. Procure dar fruto agora. Sirva a Deus agora, mas cuide da maneira como realiza o que lhe vier à mão: “faze-o conforme as tuas forças”. Faça-o prontamente; não desperdice a vida pensando no que pretende fazer amanhã, como se isso pudesse compensar a ociosidade de hoje. Ninguém jamais serviu a Deus fazendo as coisas amanhã. Se honramos a Cristo e somos abençoados, é pelas coisas que fazemos hoje. Seja o que for que você fizer por Cristo, ponha nisso a alma inteira. Não dê a Cristo um trabalhinho malfeito, feito por obrigação de vez em quando; mas, quando o servir, sirva-o de todo o coração, de toda a alma e de todas as forças.
Mas onde estão as forças do cristão? Não estão nele mesmo, pois ele é pura fraqueza. As suas forças estão no SENHOR dos Exércitos. Então busquemos a sua ajuda; avancemos com oração e fé e, depois de fazer o que nos “vier à mão para fazer”, esperemos no Senhor pela sua bênção. O que fizermos assim será bem feito e não deixará de produzir o seu efeito.
Noite
“Se alegrarão, vendo o prumo na mão de Zorobabel.”
Coisas pequenas marcaram o começo da obra nas mãos de Zorobabel, mas ninguém devia desprezá-la, pois o Senhor tinha levantado alguém que perseveraria até que a pedra de remate fosse trazida com aclamações. O prumo estava em boas mãos. Eis o consolo de todo crente no Senhor Jesus: por menor que seja o começo da obra da graça, o prumo está em boas mãos; um mestre construtor maior do que Salomão se encarregou de erguer o templo celestial, e ele não faltará nem será quebrantado até que o pináculo mais alto seja levantado. Se o prumo estivesse na mão de um ser meramente humano, poderíamos temer pelo edifício; mas o bom prazer do SENHOR prosperará na mão de Jesus. As obras não avançavam de forma irregular e descuidada, pois a mão do mestre segurava um bom instrumento. Se os muros tivessem sido levantados às pressas, sem a devida supervisão, poderiam ter saído fora do prumo; mas o prumo era usado pelo supervisor escolhido. Jesus está sempre vigiando a construção do seu templo espiritual, para que seja edificado com segurança e bem. Nós queremos pressa, mas Jesus quer juízo. Ele usará o prumo, e o que estiver fora da linha terá de vir abaixo, pedra por pedra. Daí o fracasso de muita obra lisonjeira, a ruína de muita profissão de fé reluzente. Não nos cabe julgar a igreja do Senhor, pois Jesus tem mão firme e olho certeiro e sabe usar bem o prumo. Não nos alegramos de ver o juízo deixado a ele?
O prumo estava em uso ativo — estava na mão do construtor; sinal seguro de que ele pretendia levar a obra adiante até concluí-la. Ó Senhor Jesus, como ficaríamos alegres se pudéssemos te ver na tua grande obra! Ó Sião, a formosa, os teus muros ainda estão em ruínas! Levanta-te, ó glorioso Construtor, e faz que os seus lugares assolados se alegrem com a tua vinda.
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias