Devocional de 27 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“O sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do anjo do SENHOR.”
Em Josué, o sumo sacerdote, vemos uma figura de cada um dos filhos de Deus, que pelo sangue de Cristo chegaram perto, aprenderam a ministrar nas coisas santas e a entrar até o interior do véu. Jesus nos fez reis e sacerdotes para Deus, e mesmo aqui na terra exercemos o sacerdócio de uma vida consagrada e de um serviço santificado. Mas diz-se que este sumo sacerdote “estava diante do anjo do SENHOR”, isto é, de pé para ministrar. Essa deve ser a posição permanente de todo verdadeiro crente. Todo lugar é agora templo de Deus, e o seu povo pode servi-lo tão verdadeiramente nas ocupações diárias quanto na sua casa. Devem estar sempre “ministrando”, oferecendo o sacrifício espiritual da oração e do louvor e apresentando-se a si mesmos em “sacrifício vivo”. Mas repare onde é que Josué está para ministrar: diante do anjo de Jeová. Só por meio de um mediador nós, pobres impuros, podemos ser sacerdotes para Deus. Apresento o que tenho diante do mensageiro, o anjo da aliança, o Senhor Jesus; e por meio dele as minhas orações são aceitas, envoltas nas orações dele; os meus louvores se tornam suaves, atados a ramalhetes de mirra, aloés e cássia do próprio jardim de Cristo. Se não puder lhe levar nada além das minhas lágrimas, ele as porá com as suas próprias lágrimas no seu próprio odre, pois ele também chorou; se não puder lhe levar nada além dos meus gemidos e suspiros, ele os aceitará como sacrifício agradável, pois ele também teve o coração quebrantado e suspirou profundamente em espírito. Eu mesmo, estando nele, sou aceito no Amado; e todas as minhas obras manchadas, embora em si mesmas sejam apenas objeto de aversão divina, são recebidas de tal modo que Deus sente nelas um suave cheiro. Ele está satisfeito, e eu sou abençoado. Veja, então, a posição do cristão: “sacerdote — que estava — diante do anjo do SENHOR”.
Noite
“A remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça.”
Haveria em alguma língua palavra mais doce do que “perdão” quando ela soa ao ouvido de um pecador culpado como as notas de prata do jubileu ao israelita cativo? Bendita, para sempre bendita seja essa querida estrela do perdão que brilha na cela do condenado e dá ao que perece um lampejo de esperança na meia-noite do desespero! Será possível que o pecado, um pecado como o meu, possa ser perdoado, perdoado por completo e para sempre? O inferno é a minha porção como pecador — não há possibilidade de eu escapar dele enquanto o pecado estiver sobre mim —; pode a carga da culpa ser removida, a mancha carmesim apagada? Podem as pedras de diamante da minha prisão ser soltas dos seus encaixes, ou as portas arrancadas das suas dobradiças? Jesus me diz que ainda posso ficar livre. Bendita para sempre seja a revelação do amor que expia, que não só me diz que o perdão é possível, mas que ele está garantido a todos os que descansam em Jesus. Eu cri na propiciação designada, Jesus crucificado, e por isso os meus pecados estão neste momento, e para sempre, perdoados em virtude dos sofrimentos e da morte que ele suportou em meu lugar. Que alegria é esta! Que felicidade ser uma alma perfeitamente perdoada! A minha alma consagra todas as suas forças àquele que, por seu amor não comprado, se fez meu fiador e conquistou para mim a redenção pelo seu sangue. Que riquezas de graça o perdão gratuito revela! Perdoar, perdoar plenamente, perdoar de graça, perdoar para sempre! Eis uma constelação de maravilhas; e, quando penso em quão grandes eram os meus pecados, em quão caras foram as gotas preciosas que me lavaram deles e em quão bondoso foi o modo pelo qual o perdão foi selado no meu coração, fico perdido num labirinto de afeto maravilhado e adorador. Curvo-me diante do trono que me absolve, abraço a cruz que me liberta e sirvo daqui em diante, todos os meus dias, ao Deus encarnado, por meio de quem sou nesta noite uma alma perdoada.
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias