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Manhã

“Porque muito me alegrei quando os irmãos vieram, e testificaram da tua verdade, como tu andas na verdade.”

A verdade estava em Gaio, e Gaio andava na verdade. Se a primeira coisa não fosse verdade, a segunda nunca teria acontecido; e, se não se pudesse dizer dele a segunda, a primeira teria sido mero fingimento. A verdade precisa entrar na alma, penetrá-la e impregná-la, senão não tem valor. Doutrinas mantidas apenas como artigo de credo são como pão na mão, que não dá alimento ao corpo; mas a doutrina aceita pelo coração é como alimento digerido, que, pela assimilação, sustenta e edifica o corpo. Em nós, a verdade precisa ser uma força viva, uma energia ativa, uma realidade que habita dentro, parte da trama e da urdidura do nosso ser. Se ela estiver em nós, não poderemos mais nos separar dela. Um homem pode perder as roupas ou os membros, mas as suas partes interiores são vitais e não podem ser arrancadas sem a perda total da vida. O cristão pode morrer, mas não pode negar a verdade. Ora, é uma regra da natureza que o interior afeta o exterior, assim como a luz brilha do centro da lanterna através do vidro: quando, portanto, a verdade se acende por dentro, o seu brilho logo resplandece na vida exterior e no procedimento. Dizem que o alimento de certos bichos-da-seda dá cor aos casulos que eles tecem; do mesmo modo, o alimento de que vive a natureza interior de um homem dá um tom a cada palavra e a cada ato que procedem dele. Andar na verdade significa uma vida de integridade, santidade, fidelidade e simplicidade — o produto natural daqueles princípios de verdade que o evangelho ensina e que o Espírito de Deus nos capacita a receber. Podemos julgar os segredos da alma pela sua manifestação no procedimento do homem. Seja hoje a nossa parte, ó Espírito bondoso, sermos regidos e governados pela tua autoridade divina, de modo que nada falso ou pecaminoso reine no nosso coração, para que não estenda a sua influência maligna ao nosso andar diário entre os homens.

Noite

“Procurando o bem do seu povo.”

Mardoqueu era um verdadeiro patriota e, por isso, sendo exaltado à posição mais alta abaixo de Assuero, usou a sua eminência para promover a prosperidade de Israel. Nisso ele foi uma figura de Jesus, que, no seu trono de glória, não busca o que é seu, mas emprega o seu poder em favor do seu povo. Seria bom que todo cristão fosse um Mardoqueu para a igreja, esforçando-se, segundo a sua capacidade, pela prosperidade dela. Alguns estão postos em posições de riqueza e de influência; que honrem o seu Senhor nos lugares altos da terra e deem testemunho de Jesus diante dos grandes. Outros têm o que é muito melhor, isto é, comunhão íntima com o Rei dos reis; que não deixem de interceder todos os dias pelos fracos do povo do Senhor, pelos que duvidam, pelos tentados e pelos desconsolados. Será para a sua honra se intercederem muito pelos que estão em trevas e não ousam chegar-se ao propiciatório. Crentes instruídos podem servir muito ao seu Mestre se empregarem os seus talentos para o bem de todos e repartirem com os outros a sua riqueza de saber celestial, ensinando-lhes as coisas de Deus. O menor no nosso Israel pode ao menos procurar o bem do seu povo; e o seu desejo, se não puder dar mais, será aceito. Deixar de viver para si mesmo é, para o crente, o caminho ao mesmo tempo mais semelhante a Cristo e mais feliz. Quem abençoa os outros não pode deixar de ser abençoado. Por outro lado, buscar a nossa própria grandeza pessoal é um plano de vida perverso e infeliz; o seu caminho será penoso e o seu fim, fatal.

Aqui é o lugar de lhe perguntar, meu amigo, se você está, com o melhor das suas forças, procurando o bem da igreja na sua vizinhança. Confio que não lhe esteja fazendo mal com amargura e escândalo, nem a enfraquecendo com o seu descaso. Amigo, una-se aos pobres do Senhor, carregue a cruz deles, faça-lhes todo o bem que puder, e você não perderá a sua recompensa.

De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias