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Manhã

“Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo… não deixarás de repreender o teu próximo, e por causa dele não sofrerás pecado.”

O mexerico solta um veneno triplo, pois fere quem conta, quem ouve e a pessoa de quem se fala. Seja o boato verdadeiro ou falso, este preceito da Palavra de Deus nos proíbe espalhá-lo. A reputação do povo do Senhor deve ser muito preciosa aos nossos olhos, e devemos considerar uma vergonha ajudar o diabo a desonrar a Igreja e o nome do Senhor. Algumas línguas precisam mais de freio do que de espora. Muitos se gloriam em derrubar os seus irmãos, como se assim se levantassem a si mesmos. Os filhos sábios de Noé lançaram uma capa sobre o pai, e aquele que o expôs atraiu uma terrível maldição. Nós mesmos podemos, num desses dias sombrios, precisar da tolerância e do silêncio dos nossos irmãos; prestemo-los de boa vontade aos que precisam deles agora. Seja esta a nossa regra de família e o nosso compromisso pessoal: não falar mal de ninguém.

O Espírito Santo, porém, nos permite censurar o pecado e prescreve o modo de fazê-lo. Deve ser feito repreendendo o nosso irmão face a face, e não falando mal dele pelas costas. Esse procedimento é digno, fraterno e semelhante ao de Cristo e, com a bênção de Deus, será útil. A carne recua diante dele? Então devemos pesar mais a nossa consciência e nos manter firmes na tarefa, para que, deixando o pecado sobre o nosso amigo, não nos tornemos nós mesmos participantes dele. Centenas foram salvos de pecados graves pelas advertências oportunas, sábias e afetuosas de ministros e irmãos fiéis. O nosso Senhor Jesus nos deu um exemplo bondoso de como tratar amigos que erram na advertência que fez a Pedro, na oração que a precedeu e na mansidão com que suportou a negação jactanciosa de Pedro de que precisasse de tal aviso.

Noite

“Especiarias para o azeite da unção.”

Fazia-se muito uso deste azeite da unção sob a lei, e aquilo que ele representa é de importância capital sob o evangelho. O Espírito Santo, que nos unge para todo serviço santo, nos é indispensável se queremos servir ao Senhor de modo aceitável. Sem a sua ajuda, os nossos cultos não passam de oferta vã, e a nossa experiência interior é coisa morta. Sempre que o nosso ministério é sem unção, que coisa miserável ele se torna! E as orações, os louvores, as meditações e os esforços dos cristãos em particular não são nem um pouco superiores. Uma unção santa é a alma e a vida da piedade; a sua ausência, a mais dolorosa de todas as calamidades. Apresentar-se diante do Senhor sem unção é como se um levita comum se intrometesse no ofício do sacerdote — as suas ministrações teriam sido antes pecados do que serviços. Que nunca nos aventuremos a exercícios santos sem as unções sagradas. Elas descem sobre nós da nossa gloriosa Cabeça; da sua unção nós, que somos como a orla das suas vestes, participamos de uma unção abundante. Especiarias escolhidas eram combinadas com a mais fina arte do perfumista para formar o azeite da unção, para nos mostrar como são ricas todas as influências do Espírito Santo. Todas as coisas boas se encontram no divino Consolador. Consolo incomparável, ensino infalível, vivificação imortal, energia espiritual e santificação divina, tudo está combinado, com outras excelências, naquele sagrado colírio, o celestial azeite da unção do Espírito Santo. Ele dá uma fragrância deliciosa ao caráter e à pessoa do homem sobre quem é derramado. Nada igual a ele se encontra em todos os tesouros dos ricos ou nos segredos dos sábios. Não pode ser imitado. Vem somente de Deus e é dado de graça, por meio de Jesus Cristo, a toda alma que espera. Busquemo-lo, pois podemos tê-lo, podemos tê-lo nesta mesma noite. Ó Senhor, unge os teus servos.

De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias