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Manhã

“E disse Amazias ao homem de Deus: Que se fará, pois, dos cem talentos de prata que dei às tropas de Israel? E disse o homem de Deus: Mais tem o SENHOR que te dar do que isso.”

Esta pareceu uma pergunta muito importante ao rei de Judá, e talvez tenha ainda mais peso para o cristão provado e tentado. Perder dinheiro nunca é agradável, e, quando os princípios o exigem, a carne nem sempre está pronta a fazer o sacrifício. “Por que perder aquilo que pode ser empregado de modo tão útil? Não se pode pagar caro demais até pela própria verdade? Que faremos sem esse dinheiro? Lembre-se dos filhos e da nossa pequena renda!” Todas essas coisas, e mil outras, tentariam o cristão a estender a mão para o ganho injusto, ou a deixar de pôr em prática as convicções da sua consciência quando elas trazem uma perda séria. Nem todos os homens conseguem ver essas questões à luz da fé; e, mesmo entre os seguidores de Jesus, a doutrina do “é preciso viver” tem peso mais do que suficiente.

“Mais tem o SENHOR que te dar do que isso” é uma resposta muito satisfatória à pergunta ansiosa. O nosso Pai segura os cordões da bolsa, e o que perdemos por amor dele ele pode pagar mil vezes mais. Cabe a nós obedecer à sua vontade, e podemos ter certeza de que ele proverá para nós. No fim, o Senhor não ficará devendo a ninguém. Os santos sabem que um grão de paz no coração vale mais do que uma tonelada de ouro. Quem envolve uma boa consciência num casaco puído ganhou uma riqueza espiritual muito mais desejável do que qualquer uma que tenha perdido. O sorriso de Deus e uma masmorra bastam a um coração sincero; a sua desaprovação e um palácio seriam o inferno para um espírito agraciado. Aconteça o pior, vão-se todos os talentos: não perdemos o nosso tesouro, pois ele está lá em cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Enquanto isso, já agora, o Senhor faz que os mansos herdem a terra, e não negará bem algum aos que andam na retidão.

Noite

“Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos.”

A guerra sempre se travará entre as duas grandes soberanias até que uma ou outra seja esmagada. A paz entre o bem e o mal é impossível; o próprio fingimento dela seria, de fato, o triunfo dos poderes das trevas. Miguel sempre lutará; a sua alma santa se aflige com o pecado e não o suporta. Jesus sempre será o inimigo do dragão, e não de modo passivo, mas ativo, vigoroso, com plena determinação de exterminar o mal. Todos os seus servos, sejam anjos no céu ou mensageiros na terra, lutarão e precisam lutar; nasceram para ser guerreiros — junto à cruz, fazem aliança de nunca fazer trégua com o mal; são uma companhia guerreira, firme na defesa e feroz no ataque. O dever de todo soldado no exército do Senhor é lutar contra o dragão todos os dias, de todo o coração, de toda a alma e com todas as forças.

O dragão e os seus anjos não recusarão o combate; são incessantes nos seus ataques e não poupam nenhuma arma, leal ou desleal. Somos tolos se esperamos servir a Deus sem oposição: quanto mais zelosos formos, mais certo é que seremos atacados pelos sequazes do inferno. A igreja pode se tornar preguiçosa, mas não o seu grande adversário; o seu espírito inquieto nunca deixa a guerra parar; ele odeia a semente da mulher e devoraria a igreja, se pudesse. Os servos de Satanás participam muito da energia do velho dragão e costumam ser uma raça ativa. A guerra se trava ao nosso redor, e sonhar com paz é perigoso e inútil.

Glória a Deus, conhecemos o fim da guerra. O grande dragão será lançado fora e destruído para sempre, enquanto Jesus e os que estão com ele receberão a coroa. Afiemos as nossas espadas nesta noite e peçamos ao Espírito Santo que fortaleça os nossos braços para o combate. Nunca houve batalha tão importante, nem coroa tão gloriosa. Cada um ao seu posto, guerreiros da cruz, e que o Senhor em breve esmague a Satanás debaixo dos vossos pés!

De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias