Devocional de 9 de novembro
As leituras de Charles Spurgeon para a manhã e a noite deste dia.
Manhã
“Assim também andai nele.”
Se recebemos o próprio Cristo no mais íntimo do coração, a nossa nova vida mostrará a sua íntima familiaridade com ele por um andar de fé nele. Andar implica ação. A nossa religião não deve ficar confinada ao nosso quarto de oração; temos de pôr em prática aquilo que cremos. Se um homem anda em Cristo, age como Cristo agiria; pois, estando Cristo nele — a sua esperança, o seu amor, a sua alegria, a sua vida —, ele é o reflexo da imagem de Jesus, e os homens dizem dele: “É como o seu Mestre; vive como Jesus Cristo”. Andar significa progresso. “Assim também andai nele”: avance de graça em graça, corra adiante até alcançar o mais alto grau de conhecimento que um homem pode atingir a respeito do nosso Amado. Andar implica continuidade. É preciso permanecer sempre em Cristo. Quantos cristãos pensam que devem vir à companhia de Jesus de manhã e à noite, e que depois podem entregar o coração ao mundo o dia todo! Mas esse é um pobre modo de viver; devemos estar sempre com ele, seguindo os seus passos e fazendo a sua vontade. Andar também implica hábito. Quando falamos do andar e do proceder de um homem, referimo-nos aos seus hábitos, ao teor constante da sua vida. Ora, se às vezes desfrutamos de Cristo e depois o esquecemos; se às vezes o chamamos nosso e logo deixamos de nos segurar nele, isso não é hábito; não andamos nele. Devemos nos manter junto dele, apegar-nos a ele, nunca soltá-lo, mas viver e existir nele. “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele”: persevere no mesmo caminho em que começou e, assim como no princípio Cristo Jesus foi o objeto da sua fé, a fonte da sua vida, o princípio da sua ação e a alegria do seu espírito, que ele seja o mesmo até o fim da vida; o mesmo quando você passar pelo vale da sombra da morte e entrar na alegria e no descanso que restam para o povo de Deus. Ó Espírito Santo, capacita-nos a obedecer a este preceito celestial.
Noite
“As fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas.”
Você duvida, ó cristão, duvida que Deus cumprirá a sua promessa? Serão tomadas de assalto as fortalezas das rochas? Faltarão os celeiros do céu? Você pensa que o seu Pai celestial, embora saiba que você precisa de alimento e de roupa, vai esquecer-se de você? Se nem um pardal cai em terra sem o seu Pai, e até os cabelos da sua cabeça estão todos contados, você vai desconfiar e duvidar dele? Talvez a sua aflição continue sobre você até que você ouse confiar no seu Deus, e então ela acabará. Muitíssimos foram provados e duramente afligidos até que, por fim, foram levados por puro desespero a exercer fé em Deus, e o momento da sua fé foi o instante do seu livramento; viram se Deus cumpriria ou não a sua promessa. Ah, eu lhe peço, não duvide mais dele! Não agrade a Satanás, nem se atormente alimentando por mais tempo esses pensamentos duros a respeito de Deus. Não pense que é coisa leve duvidar de Jeová. Lembre-se: é pecado; e não um pecadinho, mas criminoso no mais alto grau. Os anjos nunca duvidaram dele, nem mesmo os demônios; só nós, entre todos os seres que Deus formou, o desonramos com a incredulidade e manchamos a sua honra com a desconfiança. Que vergonha para nós! O nosso Deus não merece ser alvo de suspeitas tão vis; na nossa vida passada já provamos que ele é verdadeiro e fiel à sua palavra, e, com tantas provas do seu amor e da sua bondade como as que recebemos, e recebemos todos os dias, das suas mãos, é vil e indesculpável que deixemos uma dúvida se hospedar no nosso coração. Que daqui em diante façamos guerra constante contra as dúvidas a respeito do nosso Deus, inimigas da nossa paz e da sua honra, e com uma fé que não vacila creiamos que aquilo que ele prometeu também cumprirá. “Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade.”
De “Manhã e Noite” (Morning and Evening, 1865), de Charles H. Spurgeon, em domínio público, na tradução do Bíblia.teo.br. Todos os dias